São Paulo, 24 de Julho de 2014.

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D'água Natural aposta em preço e atendimento - 15/07/2005
Sérgio Bueno
Valor Econômico – SP, Empresas, B-6


 
D'água Natural aposta em preço e atendimento
 
A fabricante gaúcha de cosméticos D'água Natural, com sede em Porto Alegre, pouco a pouco vem ganhando terreno em um mercado dominado por gigantes como Unilever, Elida Gibbs, L'Oréal, Wella, Natura e O Boticário. Com uma verba publicitária modesta, oscilando entre 1,5% e 2% do faturamento anual, que em 2004 foi de R$ 3 milhões, e uma estratégia de ampliar gradativamente o raio de atuação, a receita cresceu 18% no ano passado, ante os 15,5% registrados pelo setor no período, e projeta mais 18% a 20% em 2005. "É complicado fazer o consumidor acreditar que um produto um pouco mais barato tem qualidade comparável com as grandes marcas", observa a farmacêutica Denise Rochadel, que fundou a empresa há 18 anos e no início desempenhava, sozinha, o trabalho de produção, vendas e promoção. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), das 1,2 mil empresas do setor que operam no país, apenas 16 responderam por 72% do faturamento total de R$ 13,1 bilhões no ano passado. A D'água Natural tem uma linha de 28 tipos de produtos e os mais importantes são os géis fixadores para cabelo, hidratantes e, mais recentemente, um gel para barbear em sistema roll-on. Para enfrentar uma concorrência tão pesada, Denise aposta na prioridade à qualidade e não ao volume de produção e dá especial atenção ao atendimento ao consumidor final. Ela não deixa sem resposta nenhum dos cerca de 300 e-mails, telefonemas e cartas recebidos por mês de pessoas que querem esclarecer dúvidas, elogiar, dar sugestões ou mesmo reclamar dos produtos. Há três anos, chegou a mandar uma fronha de travesseiro nova para um consumidor de Caxias do Sul (RS) que alegou que um gel para cabelo da empresa - sem corante - havia manchado a roupa de cama dele. O investimento em publicidade, há dez anos, resume-se, praticamente, à veiculação de anúncios em uma emissora gaúcha de rádio FM voltada para um público na faixa superior a 30 anos e poder aquisitivo mais alto. Fora isto, a empresa anuncia em pontos de venda e nos encartes promocionais ou revistas dos próprios clientes. Hoje a D'água Natural coloca seus produtos em cerca de 500 pontos de venda no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e alguns Estados do Centro-Oeste, Nordeste e Norte. A empresa tem dez representantes no país e neste ano iniciou as vendas também no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. A região Sul representa 55% dos negócios e São Paulo, 20%. Nos próximos três a quatro anos, Denise acredita que os mercados mineiro e fluminense poderão corresponder à metade dos volumes colocados em São Paulo. Na fábrica, em Porto Alegre, a D'água Natural tem 18 funcionários e pode produzir até 120 mil peças por mês. O nível de utilização de capacidade instalada está em 70%, mas a manter-se o ritmo atual, Denise prevê que em, no máximo, quatro anos terá que investir até R$ 3 milhões para duplicar o tamanho da fábrica. "Terei que construir um prédio próprio (as instalações atuais são alugadas) e comprar novos equipamentos." Conforme a empresária, a expansão física da produção está entre 20% e 25% anuais nos últimos dois anos, superior ao crescimento do faturamento porque ela, assim como todo o setor, está trabalhando para segurar preços."Buscamos maior produtividade, escala e negociamos com os fornecedores para conter custos", explica Denise, que quando entrou na faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1978, sonhava em ser bioquímica. Mas apaixonou-se pela cosmetologia e decidiu investir no setor. Além do esforço pessoal e da preocupação com a qualidade, a empresária atribui o desempenho da empresa a uma boa dose de sorte. Seis meses depois de começar a vender seus produtos em Porto Alegre, ela recebeu a visita de um representante que se encarregou de abrir as portas das redes de supermercados Zaffari e de farmácias Panvel, que figuram entre as principais do Estado.