*Artigo escrito por Adriana Colloca, presidente executiva da ABEVD
Visão geral do país

O Brasil é o quinto país mais populoso do mundo e responde por um terço da população da América Latina (213 milhões de habitantes). A população está concentrada principalmente nas regiões Sudeste (43%) e Nordeste (27%). Recém-saída da crise econômica originada pela COVID-19, a economia ocupa a 13ª posição no mundo com um PIB de US$ 1,608 trilhão. A economia brasileira cresceu a uma taxa de 4,6% em 2021.

São Paulo é a maior cidade do Brasil com seus 12,4 milhões de habitantes. 6,8 milhões de pessoas vivem no Rio de Janeiro, 3,1 milhões em Brasília, 2,9 milhões em Salvador e 2,7 milhões em Fortaleza.

Brasil em alguns números
Área 8,5 milhões de km²
Taxa de desemprego (2022) 11,2%
Domicílios com eletricidade 99,7%
Casa com computadores/tablets 42,9%
Famílias com acesso à Internet 82,7%
Famílias com celular 94%

 

Durante a pandemia, o governo forneceu ajuda financeira a grupos de baixa renda e “trabalhadores informais”. Isso, combinado com o fechamento do varejo, impulsionou a venda direta. Em 2020, o volume de vendas atingiu US$ 9 bilhões, representando um aumento de 10,5%, que foi recorde. Assim, o Brasil manteve sua 6ª posição no ranking mundial da WFDSA (World Federation of Direct Selling Associations) .

Muitas pessoas optaram por ser um vendedor direto independente por ser “o” caminho para estar no mercado formal e ganhar dinheiro extra. Isso resultou no forte desempenho do setor: crescimento de 5,5% da força de vendas em 2020. Ao final de 2020, a venda direta era fonte de renda para quase 4,0 milhões de autônomos e representava, em média, 30% da renda familiar.

Os brasileiros em geral gostam muito de interação social e os consumidores confiam nas interações pessoais. Isso acaba sendo particularmente relevante quando a experiência de compra ocorre com alguém de seu círculo social, como um amigo ou um parente. Esta é uma das razões pelas quais a atividade se desenvolve tão bem.

Os telefones inteligentes abriram o acesso à internet em todas as regiões. A digitalização já estava em andamento, como mostraram nossos dados pré-pandemia: em uma pesquisa de março de 2020, 53,5% dos vendedores diretos independentes disseram que estavam usando WhatsApp, plataformas de mídia social e internet para promover e vender produtos. Com o período de pandemia e distanciamento social, o ritmo de digitalização acelerou intensamente.

O uso de ferramentas digitais na venda de produtos levou nossa indústria a um novo patamar, passando de porta em porta para um mercado amplo sem barreiras, permitindo alcançar mais pessoas e promover mais produtos. Digitalmente, as redes podem crescer em qualquer lugar e os produtos podem ser vendidos em todos os mercados.

Ao longo dos anos, temos observado cada vez mais jovens ingressando na indústria como empreendedores. Jovens entre 18 e 29 anos já representam 49% da força de vendas no Brasil. Nossos estudos com os millennials e as gerações jovens indicam que agilidade e bons serviços, bem como ambiente digital e conveniência são fatores importantes para eles. Assim, fica claro que nosso negócio tem os pontos-chave para atrair novas gerações.

A criação de novos canais e a descoberta de novas formas de interagir com os consumidores são fortes tendências. O objetivo é conhecer melhor o consumidor, antes distante, já que as empresas interagiam com os empresários, mas não com os clientes finais. Nos últimos anos, temos observado muitas empresas de venda direta abrindo suas lojas de comércio eletrônico e varejo físico (por exemplo, as marcas brasileiras Natura e Mahogany). Por outro lado, há muitas marcas de varejo e serviços que se abriram para novas possibilidades, criando canais de venda direta para si (como Lojas Pernambucanas, C&A e Riachuelo)

Ambiente regulatório

Uma frase comum diz: “O Brasil não é para iniciantes”. Embora tenha havido melhorias ao longo dos anos, o ambiente regulatório do Brasil não é fácil de lidar para as empresas, independentemente de serem novas ou estabelecidas. A economia brasileira se destaca por ser extremamente regulada. Os empresários em geral enfrentam elevados custos associados à abertura de uma empresa, ao registo de direitos de propriedade, ao acesso ao crédito, ao pagamento de impostos e à execução de contratos, entre muitos outros desafios. Tais barreiras podem ser superadas quando começam a trabalhar com empresas de venda direta.

Sobre a ABEVD (Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas)

A ABEVD representa empresas de venda direta há mais de 40 anos e luta para manter a simplicidade do modelo de negócios, o ambiente tributário e as diversas formas de se tornar um contratante independente. Entre nossos membros, estão algumas das empresas mais tradicionais e importantes do mundo, como Natura, Avon, Herbalife, Tupperware, Amway, DeMillus, Jequiti, Omnilife, Hinode, Yakult, entre muitas outras.

As categorias de cosméticos e cuidados pessoais ainda representam 60% do mercado brasileiro. No entanto, outras categorias como utensílios domésticos, vestuário e vitaminas/suplementos estão crescendo e também se tornaram populares.

A ABEVD está atualmente realizando um estudo de reputação e formando uma força-tarefa para reposicionar a venda direta e preparar a indústria para possíveis desafios futuros. Com este projeto, pretendemos fortalecer o canal e colocar a venda direta de volta no centro das atenções como uma escolha aspiracional para quem busca um propósito e uma fonte de renda.

Adriana Coloca*Presidente Executiva da ABEVD, Adriana é economista. Possui pós-graduação em Administração de Empresas e MBA pela SDA Bocconi em Milão, Itália. Anteriormente, trabalhou em instituições financeiras como Bank Boston e ABN AMRO. Sua experiência na gestão de associações começou em 2006, quando ingressou na Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Adriana lidera a ABEVD desde 2018.

Fonte: The World Of Direct Selling.