Venda por relacionamento é opção acessível para moradores destas regiões que desejam um negócio próprio
De acordo com a pesquisa Data Favela (2022), realizada em parceria com a Cufa e o Instituto Locomotiva, 41% dos moradores de favelas já possuem um negócio próprio, enquanto 6 milhões ainda sonham em empreender. O estudo ainda indica que 7 em cada 10 desejam abrir seus empreendimentos dentro das comunidades e 40% relatam que a sua maior dificuldade para conquistar esse sonho é obter investimento financeiro. A falta de outras oportunidades de renda também é a principal razão para 57% dos que decidem empreender — entre eles, 72% são mulheres e 67% pertencem às classes D e E. Atualmente, as comunidades brasileiras movimentam por ano cerca de R$ 180,9 bilhões em renda própria.
O levantamento “Mulheres Empreendedoras e seus Negócios” (2022), realizado pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), analisou o perfil de mulheres que são donas de seus próprios negócios e constatou que, em relação aos empreendimentos com até dois anos de existência, 45% pertencem àquelas que residem em favelas e comunidades. Entre as principais razões para ter um negócio estão a busca por maior independência financeira, o desejo de economizar dinheiro e ter um equilíbrio melhor entre trabalho e família. Além disso, 41% alegam não ter renda suficiente para pagar as despesas de seus negócios.
Diante desse cenário, a venda por relacionamento surge como escolha acessível para moradores de regiões periféricas que desejam empreender. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), o modelo de negócio é uma opção, principalmente, para pessoas das classes C, D e E, e 57,8% dos empreendedores do setor são mulheres.
Este é o caso de Simone de Almeida Barreto, Representante de Beleza Avon há seis anos e moradora da região da Brasilândia, na cidade de São Paulo. Após ficar desempregada, a profissional decidiu seguir o seu sonho de empreender por meio de uma loja com produtos pronta-entrega. “Já não queria mais trabalhar para outras pessoas. Estava insatisfeita. Então fiz um plano de negócios, comecei a ler sobre empreendedorismo e busquei tutoriais on-line sobre o assunto, até que abri uma loja e passei a revender cosméticos. A Avon possui preços bastante econômicos e isso me ajuda a atrair uma clientela maior, que busca produtos de qualidade, mas não pode pagar tão caro”.
Para se aperfeiçoar na atividade, passou a realizar cursos, inclusive por meio da plataforma Avon Desenvolve, que possui mais de 600 treinamentos sobre empreendedorismo, marketing e produtos da marca. Além disso, também investiu em ferramentas digitais para alavancar suas vendas, como redes sociais e revistas digitais. “Comecei distribuindo panfletos pelo bairro e criei perfis no Instagram e no Facebook para impulsionar posts sobre o meu negócio. Crio estratégias e roteiros para publicações. Todo novo consumidor que aparecia eu já anotava o celular dele para incluí-lo em grupos com clientes no Whatsapp. Quanto mais se cria conteúdo inteligente, mais você cresce. Também consigo apresentar produtos, negociar vendas e receber pagamentos virtualmente”.
Simone conta que o empreendedorismo aumentou sua qualidade de vida e a ajudou a construir uma relação mais saudável com o trabalho, equilibrando atividades profissionais, pessoais e de lazer com mais facilidade e flexibilidade. “Hoje trabalho perto da minha casa, durante meio período. Sou muito mais feliz, independente e busco aproveitar mais a vida. Posso administrar meus próprios horários, programar folgas e férias. Também consegui conquistar objetivos, como a compra de um sítio em Minas Gerais e a construção da minha casa graças à renda que obtive como empreendedora. Sinto que sou a melhor versão de mim mesma atualmente”.
Fonte: Atualiza Bahia