Não há dados precisos de quantos brasileiros são veganos atualmente. Segundo projeção da Sociedade Vegetariana Brasileira, esse número deve ultrapassar os sete milhões. Para os adeptos desse estilo de vida, os cosméticos não podem conter nenhuma matéria-prima de origem animal, nem ser testados em animais. Mas é cada vez maior a parcela de consumidores não veganos que também se interessam por esse tipo de produto totalmente livre da exploração animal.

Alinhadas a essa tendência, empresas tradicionais do setor cosméticos vêm planejando a veganização completa de seus portfólios. É o caso da The Body Shop, que já tem 60% do seu catálogo vegano e pretende atingir os 100% até 2023. “Essa é uma preocupação da The Body Shop. Somos uma marca ativista e quando fazemos essas transformações, geramos mudanças desde o fornecedor até o time da loja e levamos informação para o consumidor com o intuito de progredirmos na consciência ética-ambiental”, afirma a gerente de marketing Debora Gentil, gerente de marca, comunicação e treinamento da The body Shop.

Para ela, esse processo de veganização é uma evolução natural da companhia, que se posiciona contra testes em animais há mais de 30 anos. “Fomos uma das primeiras marcas globais a lançar uma campanha pelo fim de testes em animais, em 1988. Isso levou à proibição de testes em todo o Reino Unido e impactou em uma mudança na lei da União Europeia”, menciona Gentil.

Quem vai seguir esse mesmo caminho é o Grupo Boticário, que acaba de anunciar o banimento de insumos de origem animal até 2025 em todas as suas marcas: O Boticário; Eudora; Quem Disse, Berenice?; BeautyBox; Multi B; Vult e O.u.i. Para isso, todos os produtos lançados a partir de setembro de 2021 já serão completamente veganos, enquanto que os já em linha passarão por reformulação e adequação.

“Em 2020, 85% dos desenvolvimentos do Grupo Boticário não usaram ingredientes de origem animal, o que corresponde a mais de mil opções veganas. Com este compromisso, queremos chegar a um portfólio 100% vegano o quanto antes”, afirma Gustavo Dieamant, diretor de P&D do Grupo Boticário. Há mais de 20 anos, a companhia não realiza testes em animais e desde 2017, não utiliza ingredientes provenientes de sofrimento animal.

A Griffus Cosméticos, presente no mercado brasileiro de cuidados capilares há mais de quatro décadas, conquistou neste ano o título vegano. “Decidimos tornar nossa produção 100% vegana para ajudar no desenvolvimento sustentável do planeta. Acreditamos que é possível entregar bons produtos para os consumidores sem colocar os animais e a natureza em risco. Pequenas ações podem mudar o mundo”, diz o diretor comercial e de marketing Wescle Aguiar.

O executivo conta que o catálogo da Griffus atende a um público mais amplo, que não se restringe a veganos, e que é mais desafiador uma empresa passar pelo processo de transição do que já “nascer” vegana. “Tivemos que alterar fórmulas e tirar vários produtos de linha”.

A The Body Shop vê com otimismo essa mudança. “Já tivemos sucesso na alteração de nossos produtos para fórmulas veganas, como a linha Lolita, relançada no ano passado com maior poder de hidratação e fixação de fragrância. Então temos segurança de que a atualização do portfólio será positiva”, aponta Gentil. “Esse é um esforço de toda a cadeia produtiva, que se inicia na equipe de desenvolvimento de produtos, pesquisa, supply, marketing, comunicação e venda, atrelado a um olhar de transformação para o negócio e para a marca”, finaliza.