Resgatando a militância ambiental que caracterizou seus primeiros passos no mercado, a marca inglesa decidiu ampliar a oferta de soluções de refil em suas lojas. A iniciativa, que tem como objetivo reduzir o consumo de embalagens descartáveis, reflete a herança ativista da marca, hoje manifestada de diversas formas. Confira, a seguir, as explicações de Hugues Laurençon, diretor-geral na França e na região Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo.

A partir de abril de 2021, 47 lojas na França colocarão à disposição estações de refil para diversos produtos, como gel de ducha, sabonete líquido para as mãos, shampoo e condicionador. No plano mundial, a previsão é que 400 estações sejam instaladas até o final do ano e que todas as lojas da The Body Shop estejam equipadas com o sistema daqui a cinco anos. Na França, a novidade chega em breve a 47 estabelecimentos, ou seja, à maioria das lojas da rede. O leque de produtos disponíveis dependerá do tamanho da loja, podendo ter entre seis e até doze referências.

Refil ilimitado em frascos de alumínio
Concretamente, um frasco de alumínio reciclável com capacidade de 300 ml estará à venda nas lojas por 2,50 euros, e é nele que será acondicionado o produto escolhido, que por sua vez custará 7 euros. No caixa, o preço total será inferior ao do produto vendido na embalagem tradicional. Em seguida, o frasco de alumínio poderá ser recarregado na loja quantas vezes o cliente desejar. A higienização do frasco fica por conta do consumidor. Na hora da compra, as conselheiras colam no frasco uma etiqueta que indica a data de validade e o número do lote.

“Com esse projeto, a rede The Body Shop mostra-se fiel à herança ativista lançada por Anita Roddick, fundadora da empresa. Estamos muito orgulhosos em ser a primeira marca de cosméticos a dar tamanha dimensão a esse tipo de sistema, tanto pelo número de lojas como pela variedade de referências disponíveis. Como a The Body Shop conquistou a certificação B Corp, temos uma responsabilidade em relação às embalagens que acompanham os produtos comercializados pela marca. Todos os nossos produtos são recicláveis e fabricados com plásticos provenientes do comércio justo e solidário”, explica Hugues Laurençon.

Em 2019, a marca estabeleceu uma parceria inédita com uma startup indiana que oferece assistência aos catadores de resíduos plásticos que trabalham nas ruas. Graças à parceria, esses trabalhadores, que muitas vezes são marginalizados, recebem uma remuneração justa e fixa e contribuem para reduzir o volume de lixo na natureza. O plástico reciclado proveniente dessa atividade é atualmente usado, em maior ou menor proporção, em todos os produtos da The Body Shop.

Herança ativista
Além das estações de refil, a marca está lançando a “Activist Maker Workshop”, novo conceito de loja em que a decoração inclui móveis de segunda mão. “Todos os elementos já trazem uma história passada e são fruto de reciclagem industrial. Eles formam um conjunto, compondo uma loja diferente, com produtos diferentes”, continua Hugues Laurençon. A primeira loja desse tipo foi inaugurada na Oxford Street, em Londres, em 2019. Na França, o conceito chegará em Dijon no mês de junho e em Carré Sénart em setembro.

Em relação aos produtos, os conceituados body butter, responsáveis pelo sucesso da marca, foram retrabalhados para que suas fórmulas contenham entre 95% e 99% de ingredientes de origem natural, proporcionando 96 horas de hidratação. A antiga tampa de plástico preto, difícil de reciclar, foi substituída por uma nova tampa de alumínio.

Na categoria de perfumes, o clássico White Musk, lançado em 1981, passará a ser comercializado com um novo frasco fabricado à base de 42% de vidro reciclado e equipado com uma válvula que pode ser retirada. Para completar, a marca eliminou todos os elementos desnecessários das embalagens.

Campanha Audocuidado – Autoamor
A marca The Body Shop deseja também promover o movimento de transformação da noção de beleza, de forma a torná-la mais inclusiva. Um estudo mundial encomendado à Ipsos e realizado em diversos países revelou que o amor das mulheres por si mesmas está em baixa. As francesas, particularmente afetadas por esse problema, ficaram em último lugar nesse Self Love Index, empatando com as mulheres sauditas. Como resposta, a marca lançou o movimento #SelfLoveUprising #AmourdeSoi em parceria com diversas celebridades, entre as quais a cantora Lous and the Yakuza (para a França e a Bélgica) e Jameela Jamil, atriz e ativista Body Positive (para a Inglaterra). Essas artistas são as porta-vozes de uma campanha lançada em 16 de março nas redes sociais e nas lojas.

“Lous and the Yakuza personifica o amor da mulher por si mesma. Com sua participação na campanha, ela passa a mensagem de que, para amar os outros, primeiro é preciso amar a si mesma. Pedimos a ela que escolhesse uma associação para a qual vamos angariar fundos”, declara o diretor-geral.

Rumo à Ásia e à China
Manifestando publicamente suas ideias, a marca, que agora é parte integrante do grupo Natura &Co, deseja ampliar sua presença graças a lojas físicas na França e em outros países. “A conexão humana é essencial, e não é porque a situação está difícil que vamos desistir das vendas no varejo. Queremos veicular e compartilhar nossos valores, e para tanto precisamos de contato humano. Acreditamos no poder das relações”, afirma Hugues Laurençon.

Segundo o diretor-geral, a Ásia é hoje a nova fronteira a conquistar. “Até agora, a marca excluiu voluntariamente a China de seus planos de expansão, apesar do grande potencial que esse mercado oferece, por não aceitar a política adotada pelo país em relação aos testes com animais. Mas, em breve, será possível rever essa decisão, em virtude das recentes medidas tomadas pelo governo chinês para eliminar a crueldade com os animais”. Na França, a previsão é que a rede estabelecimentos seja otimizada, com a abertura de novas lojas e a relocalização de outras.

Sobre a fusão com o grupo Natura &Co, Hugues Laurençon comemora a união de duas marcas que defendem valores em comum e pretendem resgatar tudo o que sempre fez o diferencial da The Body Shop. “O objetivo é devolver à marca sua voz. A The Body Shop não é uma marca de cosméticos como as outras. É uma marca que tem um firme compromisso com as causas que defende. A venda de produtos é o vetor, mas o que importa realmente é a mensagem que veiculamos”, conclui ele.

Fonte: Brazil Beauty News