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ABEVD NA MÍDIA | NEWS

Clipping de Notícias das Empresas de Vendas Diretas e Parceiros. Confira:

Abertura de Mercado: Bom humor no exterior deve animar os mercados locais

As bolsas asiáticas fecharam em alta nesta segunda-feira, impulsionadas por um rali na China, que ganhou força com sinais recentes de que a segunda maior economia do mundo está se recuperando do choque do coronavírus em ritmo mais rápido do que se previa.

Os últimos indicadores econômicos, que mostraram retomada da atividade econômica e aumento dos lucros industrial, geram esperanças de que as bolsas do país atravessem um período de tendência de alta.

Assim, o índice Xangai encerrou o dia com alta de 5,71%. Já os índices futuros das bolsas de NY sobem na volta do feriado americano, e as bolsas europeias também avançam, após um rali nos mercados chineses com investidores focando nos indicadores positivos recentes, incluindo o último relatório de emprego dos EUA, a perspectiva de recuperação econômica e avanços de possíveis tratamentos para a Covid-19, apesar dos sinais de aceleração da pandemia.

No mercado de commodities, os contratos futuros de petróleo também operam em alta, revertendo perdas da sessão anterior, em meio a ganhos expressivos dos mercados acionários após um rali nas bolsas chinesas. Na Zona do Euro, as vendas no varejo saltaram 17,8%, superando a previsão de analistas de alta de 14%.

No Brasil, o bom humor do exterior deve se espalhar para os mercados locais, haja vista a alta de 4% do ETF do Brasil e de ao redor de 2% dos ADRs da Petrobras
negociados em NY. Mesmo com o avanço do Covid-19 nos EUA, o investidor prefere olhar para os sinais de retomada das economias ao redor do mundo e a esperança de que uma vacina não demore a sair.

Para esta semana, na agenda local, destaque para a divulgação das vendas no varejo de maio na quarta-feira e para o IPCA de junho, na sexta-feira. Hoje, o investidor pode reagir às declarações do ministro da economia, Paulo Guedes, que disse que a tributação de dividendos deve entrar na reforma tributária. De acordo com ele, esta reforma pode ser aprovada ainda em 2020.

Há também o debate sobre a criação de tributos sobre transações digitais, que não é a CPMF. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também ressaltou que a reforma tributária é prioridade na agenda legislativa do segundo semestre. Guedes também disse em entrevista recente que o governo fará 4 grandes privatizações em até 90 dias.

Para o Ibovespa, esperamos uma abertura no campo positivo, acompanhando o movimento dos pares internacionais.

Fonte: Valor Econômico

2020-07-06T13:27:48-03:00julho 6th, 2020|Categories: ABEVD Clipping|

Auxílio emergencial deve evitar queda maior do PIB, com estímulo a consumo das famílias

Tombo seria de 9% em 2020 sem o benefício, mais que os 6,5% previstos pelo mercado. Ajuda também vai aliviar caixa do governo, com retorno de R$ 75 bi em impostos

O auxílio emergencial, que pode injetar até R$ 300 bilhões na economia, tem efeitos que vão além da manutenção da renda dos trabalhadores que perderam o emprego na pandemia. Especialistas avaliam que os recursos podem reduzir em 27% a queda do Produto Interno Bruto (PIB) e aliviar o caixa do governo, já que R$ 75 bilhões devem voltar aos cofres públicos por meio de arrecadação de impostos.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, calcula que, sem o programa dos R$ 600, a economia poderia ter um tombo de 2,5 pontos percentuais maior. Como o mercado projeta recessão de 6,5% este ano, sem o auxílio, a retração chegaria a 9%, como estima o Fundo Monetário Nacional (FMI).

— O auxílio é um dos elementos que ajudam a explicar uma queda menor do PIB. O recuo de 9% do FMI acaba parecendo um pouco forte nessas condições — diz Vale.

O componente que vai fazer o PIB cair menos será o consumo das famílias, que responde por 64,5% da economia. Vale diz que, supondo que todo o benefício seja gasto, adiando o pagamento de dívidas, o consumo cairia 3,7% em vez dos 7,6% previstos.

Na arrecadação de impostos, Pedro Schneider, economista do Itaú, prevê retorno de 30% dos R$ 254 bilhões que o governo estima gastar com o benefício, já contando a prorrogação dos R$ 600 por mais dois meses, anunciada semana passada.

Considerando pagamento de dívidas ou poupança com o auxílio, e o restante sendo gasto, entrariam R$ 75 bilhões em impostos no caixa do governo. A carga tributária corresponde a 33,5% do PIB.

— Um mês de auxilio custa R$ 65 milhões. O Bolsa Família custa R$ 33 bilhões por ano. Muito mais dinheiro está sendo colocado na economia. Isso tem repercussão na atividade econômica e na arrecadação — afirma Schneider.

Custo fiscal

Especialistas alertam, no entanto, que manter o programa por muito mais tempo teria impacto nas contas públicas, que já estavam no vermelho antes da crise provocada pelo novo coronavírus.

Schneider afirma que o Itaú revisou a previsão de déficit primário (receitas do governo menos as despesas, antes do pagamento de juros) na última sexta-feira, exatamente por prever a manutenção da ajuda por mais meses. A estimativa de rombo aumentou de 10,2% para 11% do PIB.

— O governo está gastando, e isso vai ser importante para atividade. Nossa preocupação é o dia seguinte, caber no teto de gastos (regra fiscal que impede que as despesas cresçam mais que a inflação do ano anterior) — alerta Schneider.

O Instituto Fiscal Independente (IFI), ligado ao Senado, prevê que o auxílio injetaria ao todo R$ 309 bilhões na economia se houvesse mais três parcelas de R$ 600.

— O benefício não resolve o problema, mas impulsiona a atividade e gera algum retorno na arrecadação. Dados de ICMS mostram quedas menores, por causa desse tipo de medida, principalmente em bens de primeira necessidade. Há queda menor do que teria sem o auxílio — diz Felipe Salto, diretor executivo do IFI.

Apesar das fraudes, grande parte do auxílio está indo para as famílias de renda mais baixa, nas quais a destinação do dinheiro para o consumo é mais imediata.

Estudo do Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o auxílio emergencial conseguiu recompor mais de 100% da renda do trabalho perdida entre as famílias mais pobres. Nesses lares, a proporção dos que receberam auxílio emergencial chegou perto de 50%; entre os ricos, a parcela cai para 3,35%.

— Amenizou a queda da renda das famílias, principalmente das mais pobres. O auxílio recompôs tudo ou foi até maior do que elas recebiam — afirma Sandro Sacchet de Carvalho, autor do estudo.

Foi o caso do vendedor ambulante Renato Souza, de 41 anos, que faturava entre R$ 1.000 e R$ 1.500 antes da pandemia. Ele já recebeu as duas primeiras parcelas do auxílio de R$ 600. A mulher é cadastrada no Bolsa Família e, como tem uma filha, passou a receber R$ 1.200 de benefício.

— O valor de R$ 600 não é muito. Só de aluguel eu pago R$ 500, então, não sobra nada. Com o da minha esposa, pagamos as outras contas.

Souza vendia seus produtos no Largo do Encantado, na Zona Norte do Rio, mas, com as medidas de distanciamento social para conter a pandemia, não conseguiu mais trabalhar:

— Eu poderia ficar o dia inteiro ali que não faria R$ 50. Sou privilegiado porque, na minha casa, duas pessoas receberam o auxílio. Não sei como faria sem esse dinheiro. Você não vive o mês todo com R$ 600, ainda mais com uma criança.

Queda menor na renda

O diretor da FGV Social, Marcelo Neri, chama a atenção, contudo, para as mudanças na maneira de calcular o impacto dos recursos injetados na economia. Com o comércio e os serviços parcialmente parados, não há onde consumir:

— Sabemos que o auxílio é bastante pró-pobre, mas a certeza que esse dinheiro vai para o consumo não está tão garantida como antes.

A consultoria Tendências prevê que a renda das famílias terá queda de 2,3%, muito sustentada pelas transferências do governo.

Fonte: O Globo

2020-07-06T13:26:40-03:00julho 6th, 2020|Categories: ABEVD Clipping|

Vendas no varejo da zona do euro têm alta recorde de 17,8% em maio ante abril

Alta foi de 17,8% em maio na comparação com abril

Os consumidores da zona do euro voltaram em massa às lojas em maio, uma vez que as restrições impostas pela pandemia foram aliviadas no bloco, mostraram nesta segunda-feira (6) estimativas da agência de estatísticas da União Europeia, sinalizando forte recuperação das vendas após quedas recordes em março e abril.

As vendas nos 19 países que usam o euro subiram 17,8% em maio na comparação com abril, informou a Eurostat, no aumento mais forte desde que os registros para as vendas varejistas da zona do euro começaram em 1999.

A alta foi mais intensa do que as expectativas do mercado de aumento de 15% no mês.

Na comparação com o ano anterior, o faturamento do comércio caiu 5,1% em maio, mostrando que a recuperação está longe de completa. Mas a queda anual foi menos acentuada do que o recuo de 7,5% esperando por economistas.

O ganho mensal compensa parcialmente as quedas recordes registradas nos dois meses anteriores, quando o volume de vendas varejistas caíram um recorde de 12,1% em abril e 10,6% em março, segundo dados revisados hoje pela  Eurostat.

2020-07-06T13:25:01-03:00julho 6th, 2020|Categories: ABEVD Clipping|

Vendas do varejo brasileiro cresceram 12,5% entre janeiro e junho

As vendas do varejo (supermercados, atacarejo e farmácias) no Brasil cresceram 12,5% entre janeiro e o dia 14 de junho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2019, segundo dados inéditos da Nielsen.

O número, de acordo com o levantamento, mostra um reflexo das restrições impostas pelo coronavírus no consumo do país: o ambiente de distanciamento social fez as pessoas consumirem mais. Durante a pandemia, por estarem mais tempo em casa, acabaram cozinhando mais, tendo que repor mais produtos de limpeza, comprar mais itens de higiene e beleza, mais bebidas, etc.

A Nielsen indica que o desafio do varejo brasileiro no pós-pandemia será a estratégia de preços, levando em conta que haverá uma drástica redução do poder de compra da população.

Fonte: O Globo

2020-07-06T13:23:45-03:00julho 6th, 2020|Categories: ABEVD Clipping|

Marcas podem esbarrar em limites em briga contra ‘fake news’ e discurso de ódio na internet

O boicote de cerca de 700 marcas ao Facebook ao longo do mês de julho nos EUA – movimento que foi estendido por gigantes multinacionais também a outros países, entre eles o Brasil – pode ser apenas a ponta do iceberg no que se refere à pressão dos anunciantes em relação à responsabilidade das empresas de tecnologia no que se refere aos conteúdos veiculados em suas plataformas. Essa é uma notícia que pode afetar não só o Facebook, mas também gigantes como o Google, de acordo com especialistas ouvidos pelo Estadão.

Ainda assim, evitar totalmente que uma marca se veja associada a conteúdos inadequados deve ser um trabalho de longo prazo. Apesar disso, a disposição de harmonizar essa relação nunca foi tão clara. “Eu acho que estamos em um momento de inflexão no que se refere aos conteúdos aos quais as marcas querem se associar”, diz Márcio Jorge, sócio e diretor de inteligência da Zahg, empresa especializada em publicidade digital. “Acabou aquela posição de ir empurrando com a barriga.”

Para Jorge, é importante lembrar que este não é o primeiro conflito das marcas com o Facebook – é apenas o maior deles. Na edição de 2015 do Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade, o então chefe global de marketing da Unilever, Keith Weed, subiu ao palco para denunciar que quase 30% dos cliques contabilizados pelo Facebook em propagandas na rede social eram, na verdade, ações de robôs, ou bots, como se diz no jargão de tecnologia. O Facebook admitiu, na época, os erros, mas não houve um movimento significativo contra a plataforma por causa disso.

Se antes a briga dos anunciantes se referia principalmente à questão financeira – pagamento por cliques falsos –, o debate atual, referente à associação de propagandas com conteúdos indesejáveis, começou a ganhar a tração a partir de 2016, quando notícias falsas tiveram um peso considerável no resultado das eleições americanas. No início de 2017, o YouTube, do Google, foi alvo de críticas por associar anúncios a vídeos impróprios, incluindo de grupos terroristas. Após algum conflito e mudanças na plataforma de vídeos, a situação acabou pacificada.

As ofensivas e recuos mostram que, apesar dos conflitos, as plataformas online são muito relevantes para o anunciante. Mesmo assim, o sócio da Zahg acredita que agências e anunciantes vão monitorar mais de perto onde seus anúncios são veiculados. Até porque existem hoje grupos dedicados a “puxar a orelha” de marcas que se relacionam a conteúdos falsos ou duvidosos – o mais famoso é o Sleeping Giants, que recentemente chegou ao Brasil.

Isso fez as marcas ampliarem a vigilância sobre a publicidade digital. A varejista Magazine Luiza, por exemplo, diz estar atenta ao destino de seus anúncios na web. É um trabalho que inclui não apenas a empresa em si, mas também parceiros que trabalham em conjunto com a marca. É comum, no setor de eletrodomésticos, que fabricantes e varejo façam promoções conjuntas.

Ao Estado, a empresa disse que criou uma lista de sites proibidos por promoverem temas que julga estarem em desacordo com seus princípios. Além disso, a companhia fez parcerias com ferramentas que ajudam a monitorar onde a marca Magalu aparece. Por fim, também criou restrições jurídicas para evitar que parceiros veiculem marcas que vão contra diretrizes da empresa. Diversas grandes marcas, como Natura e Volkswagen, trabalham com restrições semelhantes.

Dilema

Na visão de Marco Túlio Kehdi, da agência de marketing digital Raccoon, quase 100% dos negócios hoje estão preocupados em banir sites pouco confiáveis. No entanto, a disposição esbarras em duas dificuldades principais. A primeira é que os sites de fake news se proliferarem às centenas na internet – justamente para fugir de escrutínio. E a segunda é o fato de o marketing da internet ser baseado tanto em anúncios comprados diretamente quanto no chamado “retargeting”.

O especialista diz acreditar que cerca de 90% da veiculação de publicidade em sites duvidosos está ligado ao retargeting. Ou seja: um anunciante compra um banner em um determinado site, para atingir usuários de perfil específico. A partir do momento em que aquele potencial cliente é reconhecido, o anúncio passa a segui-lo aonde quer que ele vá em sua navegação. E, segundo Kehdi, o consumidor pode eventualmente ir parar em um site de fake news ou ligado a pensamentos extremistas.

Em algum momento, portanto, as marcas podem se ver diante de um dilema extremo: será que vale a pena abrir mão de uma venda por não concordar com as crenças de um (potencial) cliente?

‘Agulha no palheiro’

Na semana passada, o Facebook se pronunciou em um artigo de Nick Clegg, vice-presidente de assuntos globais e comunicações, na revista AdAge. O executivo afirmou que eliminar completamente discursos de ódio na plataforma é como “encontrar uma agulha em um palheiro”. Ele defendeu práticas do Facebook, como a contratação de 35 mil profissionais dedicados à segurança dos serviços. Disse também que a empresa investe bilhões na área, incluindo o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial.

Fonte: Estadão

2020-07-06T13:21:58-03:00julho 6th, 2020|Categories: ABEVD Clipping|

Cabelos brancos, pouca make e zero esmalte: como será a beleza pós-pandemia?

A franja da atriz Ana Fonte, de 35 anos, começou a ficar grisalha em meados de janeiro. Na época, o coronavírus parecia restrito à China, e ela nem sonhava que se isolaria em casa, em Ubatuba, no litoral de São Paulo, com o marido e a filha de 4 anos. O desejo de se libertar da tinta, usada mensalmente desde os 20, vinha de longe, mas alguma coisa em 2020, daquelas tipo resolução de ano novo, a fez ter coragem de abandonar o hábito. Algumas semanas depois, o vírus se instalou no Brasil e Ana conseguiu completar os primeiros três meses — considerados os mais difíceis de se acostumar — do processo de “grisalhar”.

Já sentia o cabelo mais sedoso e começou a curtir o que via no espelho; criou o perfil @anagrisalhando no Instagram e fez a conta “bombar”. Num processo semelhante ao da atriz, por questões econômicas, sociais ou comportamentais, muitas mulheres começaram a repensar a beleza durante a quarentena. Lá fora, esse fenômeno já ganhou um nome: JOLGO (Joy of Letting Go, algo como “alegria de deixar rolar”). Por causa da Covid-19, o “New York Times” sentenciou que a FOMO (Fear of Missing Out, medo de perder algo diante de tantos acontecimentos na vida da nossa rede de contatos) acabou para dar lugar a essa nova mania. Ou seja: se você sempre quis se libertar de pressões, a hora é essa.

“Minha rede social cresceu muito na pandemia. As pessoas estão mais dispostas a se descobrir. Muitas agradecem por eu estar retratando essa transição, outras vêm falar que não estão aguentando, que está sendo sofrido. Cada uma tem o seu tempo”, conta Ana. “Digo: ‘Segura um pouco. Depois de três meses sem pintar, se ainda não estiver feliz, não é para você’. Isso não pode ser mais um padrão imposto”, completa a atriz, que aboliu a tinta, mas não a vaidade. “Comecei a fazer coisas tipo olhar mais para a pele. Tenho tido reencontros comigo mesma em rituais de autocuidado.”

A saída do piloto automático, o redescobrimento do significado da beleza para além da estética e a conexão com o bem-estar são efeitos da pandemia percebidos de forma quase unânime por especialistas e grandes nomes do setor. “Antes, ninguém tinha tempo de dar uma quarentena ao corpo. Agora, cuidar de si própria e permitir um cabelo branco é um conceito importante”, diz o dermatologista Victor Bechara, do Rio. O médico acredita que, na dermatologia do pós-pandemia, devem-se acelerar as propostas de prevenção para além da intervenção, tipo o uso cada vez mais cedo (a partir dos 25 anos) de produtos antioxidantes. Eles ajudam a conter a ação dos radicais livres presentes nos raios ultravioletas, poluição e outros agentes estressores da vida moderna.

Dentro dessas considerações sobre estética versus conforto, num momento de tanta pressão física e emocional, comportamentos se transformam e ultrapassam determinados arquétipos. Além de millennials que estão mais conectados com movimentos on-line de discussão de padrões, há gerações mais velhas na mesma toada. É o caso da produtora de eventos Carla de Brito, de 54 anos, que abandonou o hábito de fazer as unhas e escova no cabelo semanalmente. Isso aconteceu não só porque os salões estavam fechados, mas porque “deu na telha”: “Não quero mais esse trabalho e essa despesa”. Outro exemplo é o da estilista Tondelei Morandi, de 64 anos, que deixou de pintar os fios nessa quarentena e assim pretende seguir. “A pandemia trouxe muita reflexão: o que eu realmente preciso, o que eu quero?”, questiona ela. A vice-presidente de marca da Natura, Andrea Alvares, concorda que o período ajuda na mudança de determinados paradigmas: “A Covid-19 colocou por terra escolhas inerciais, que não questionávamos”. Agora, nada é por acaso, mas fruto de algumas ponderações.

Uma das maiores influenciadoras digitais do Brasil, Camila Coutinho (2,6 milhões de seguidores no Instagram) já vinha adotando um esquema de beleza mais minimalista há dois anos. O isolamento confirmou o estilo, que pretende manter. Mesmo com uma agenda lotada de lives e parcerias, ela passou os últimos três meses com um look menos montado. Deixou o secador de cabelo de lado e abandonou de vez o gel da unha. “Recentemente, fiz uma live sem um pingo de maquiagem. Há um tempo, isso seria impossível. Hoje, na minha estética, gosto de um resultado mais natural ”, conta Camila. A pernambucana, de 32 anos, também tem incrementado os momentos de autocuidado. “Rituais de beleza são essenciais para a pessoa se curtir mais. Fala-se muito em meditar, mas me maquiar e fazer meu skincare funcionam como meditações. Meu banho é um momento sagrado. Encontrar prazer nessas coisas é importante.”

Fazer projeções no meio do furacão é difícil, mas crises passadas mostram que a indústria da beleza, se comparada com a da moda, por exemplo, sofre menos depois de períodos traumáticos, como pós-guerras e pandemias, principalmente por seu poder de reinvenção. Clotilde Perez, professora de Semiótica e Publicidade da USP, que este mês lança o livro “Há limites para o consumo?”, exemplifica dois momentos históricos para comprovar a tese: o lançamento de perfumes no pós-guerra por grandes grifes (produtos muito mais baratos do que as roupas de luxo) e a expansão da linha de esmaltes da Chanel, depois da crise de 2008. A estratégia das marcas vai ao encontro do desejo dos consumidores represados. “Num primeiro momento, veremos compras mais imediatistas, principalmente numa situação de depressão psicológica. Haverá um crescimento para aplacar nossas angústias”, diz a professora.

Dona do Instagram @bonitadepele, com quase 300 mil seguidores, a paulista Jana Rosa, de 34 anos, tem acompanhado de perto os movimentos sobre o assunto neste período em que, inegavelmente, estamos ainda mais conectados do que antes. Seu discurso vai de encontro ao de Clotilde: tem percebido que a audiência busca informação sobre novidades e rituais de beleza até como forma de diversão. “Não podemos mais ir a uma festa, a um bar, então nos dedicamos a tratamentos caseiros”, diz ela, confessando ter se surpreendido com tamanha demanda, mesmo numa crise de saúde.

A análise de gigantes da indústria mostra que, nas primeiras semanas da Covid-19, houve uma queda de interesse pelo tema — afinal, insegurança e consumo exagerado de informações sobre coronavírus ditavam o nosso fluxo de ideias. Mas, à medida que os dias foram passando, a brasileira voltou a se reconectar com outros assuntos, inclusive como forma de manutenção da saúde mental. Sendo o país o quarto maior consumidor de beleza do mundo, foi natural que o tema voltasse a ter espaço na vida das pessoas. “Beleza, para a consumidora, tem papel relacionado à autoestima. Ela entendeu que sentir-se bem nesse momento também é importante”, diz Patricia Borges, chefe de marketing da L’Oréal Brasil.

No entanto, não dá para esperar que o volume e a forma de consumo sejam como antes. A crise econômica é uma realidade, e o segmento, como todos os outros, será afetado. Segundo projeções da agência de tendências Euromonitor, haverá, em 2020, uma queda de 5% nas vendas de cosméticos. “A instabilidade vai forçar a cliente a ser mais assertiva, racional. Com a menor disponibilidade de renda, procurará produtos que ofereçam maior custo-benefício. Mesmo assim, muitas irão em busca de bem-estar”, diz Elton Morimitsu, consultor de beleza e cuidados pessoais da Euromonitor.

 

Além do preço e do conforto, outros dois fatores guiarão a beleza do pós-pandemia. O primeiro é a segurança. Uma doença que afeta milhões de pessoas no mundo acende um alerta na cabeça do consumidor. Ele precisa estar mais atento ao que coloca no corpo, seja em termos de higiene e beleza, ou alimentação. Por isso, ingredientes antissépticos e antibacterianos estão e continuarão muito presente nas fórmulas.

O segundo fator é a multifuncionalidade, que cai como uma luva na cesta enxuta de uma mulher com as finanças abaladas, como sinaliza Luiza Nolasco, uma das diretoras da empresa de pesquisa WGSN. E quem se aproveitará muito disso é o segmento de maquiagem, até agora o mais abalado pela pandemia e que já vinha, há algum tempo, otimizando os produtos. Como as máscaras de proteção não têm data para cair em desuso, o setor vai investir pesado em novidades para olhos e sobrancelhas e desacelerar a produção de batons e glosses, uma vez que não poderemos vê-los. “O olhar será o nosso portal de criatividade de beleza. Outro dia, passei gloss e esqueci que ia sair de máscara”, diz a stylist paulistana Suyane Ynaya, de 30 anos, que, antes da pandemia já andava questionando alguns paradigmas, como várias millennials. No seu caso, o da depilação: “Eu me raspo quando quero.”

Coexistindo com posturas conservadoras, as contestações continuarão. Quem aposta no minimalismo dividirá espaço com o desbunde. “A beleza é um vai e vem da sociedade. Há naturalidade e extravagância, movimentos que tinham oscilações históricas mais marcadas”, reflete Aline Mori, diretora de marketing de produto de O Boticário. “Agora, eles convivem mais. Enquanto nas décadas do século XX havia um determinado padrão, com o digital e a pulverização da mídia, passamos por mais realidades e contextos.”

Ao que tudo indica, a pluralidade veio para ficar.

Fonte: O Globo

2020-07-06T13:20:59-03:00julho 6th, 2020|Categories: ABEVD Clipping|

Clipping – UOL – Aliança Global aposta em informação e experiências para atletas

Atuar fora da caixa, este é o objetivo de Kelly Muller, fundadora da Aliança Global, projeto recém-lançado como Olympic Global Alliance e que acaba de mudar para Organization Global Alliance (OGA) a pedido do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Olímpico Internacional (COI) por causa de questões de direito ligados ao nome olímpico. Aos 39 anos, e com 27 dedicados ao basquete, a ex-jogadora viveu em nove diferentes países. A partir da experiência internacional e das conexões realizadas pelo mundo, ela defende políticas públicas para o setor e afirma que o atleta precisa ser politizado para gerenciar a própria carreira.

“Saí de São Paulo aos 13 e fui morar em Sorocaba para jogar basquete. O esporte me levou a muitos lugares (Colômbia, Equador, Itália, Letônia, etc). Mas falta profissionalismo. Minha modalidade, por exemplo, só tem este prestígio nos Estados Unidos e na França. Em Cuba e na Turquia também há uma valorização maior aos esportistas dentro da sociedade”, diz a ex-jogadora.

A veterana afirma que ainda tem proposta para continuar a jogar, mas está concentrada na OGA em busca de visibilidade e mais elos para uma corrente que tem o objetivo de massificar o esporte na cultura brasileira. “Ele é uma indústria e não pode ser esquecido. Hoje, no Brasil, lembram apenas do futebol. Não acredito em lideranças isoladas e temos diferentes núcleos pensando em diferentes áreas. Nossas redes sociais já estão aí e o nosso site, que está em construção, vai ter uma aba para que as pessoas possam se associar conosco”, declara.

Sobre o início da OGA, lançada no Dia Olímpico (23 de junho), Kelly elenca reuniões longas, com pautas abertas e troca de ideias. “São vários barquinhos que já estão no mar”, explica, destacando que vão elaborar um plano educacional para os atletas e trazer muita informação para o meio como metas iniciais.

Na próxima sexta (3), pelos perfis da OGA no Instagram e no Twitter, a partir das 16h, será discutido o racismo estrutural com Sandro Viana (ex-velocista e medalha de bronze dos Jogos de 2008, em Pequim), Mafoane Odara (gerente de combate às violências contra as Mulheres do Instituto Avon) e Iziane Marques (jogadora de basquete e membro da Comissão de Atletas do COB). Outra live também está programada para a próxima terça (7) com o velejador Lars Grael e Fabiola Molina sobre trajetória e política.

Fonte: UOL

2020-07-03T15:06:20-03:00julho 3rd, 2020|Categories: ABEVD Clipping|

Clipping – Estadão – Consumo deve voltar a níveis pré-Covid no 3º trimestre de 2021

As empresas de consumo, que incluem setores voltados ao consumidor final, devem ver os seus negócios retornarem ao nível pré-pandemia apenas no terceiro trimestre de 2021 em escala global. A conclusão é de um levantamento da consultoria ZRG Partners obtido pelo Estadão/Broadcast, e que considera 100 empresas de capital aberto de todo o mundo em segmentos como varejo, alimentos e bebidas, lazer e vestuário. Duas empresas brasileiras, o GPA e a Natura &Co, fazem parte do chamado ZRG Consumer 100 Index, e devem seguir essa mesma tendência.

“O GPA atua em um setor que foi considerado essencial, então, pode ser que ele volte antes até do que empresas de outras indústrias”, diz Bruno Lino, um dos sócios da ZRG no Brasil, e responsável pelas pesquisas da consultoria na área de consumo no País. “Como brasileiro, olhando para o índice, é interessante notar que estamos alguns meses ‘atrás’ na pandemia, e por isso, podemos ver quais as tendências estão aparecendo nos outros países”, diz ele.

O Consumer 100 Index calcula o desempenho dos papéis das empresas que fazem parte dele nas bolsas em que estão listadas. A lista de companhias incluídas é definida por um algoritmo que pondera fatores como poder das marcas, investimento em inovação, receitas e crescimento. Do total, 62% dos nomes são de consumo discricionário, e 38% de consumo essencial.

A maior parte das empresas do índice, 63%, tem capitalização de mercado acima de US$ 10 bilhões. 30% são médias, com valores entre US$ 2 bilhões e US$ 10 bilhões. Os 7% restantes têm valores abaixo de US$ 2 bilhões. Considerando-se os 100 nomes, 69% pagaram dividendos aos acionistas até o final de abril, ante 83% em dezembro de 2019. Em termos gerais, com o impacto da pandemia, todas viram seus lucros caírem no primeiro trimestre, mas o estudo ressalta que 2019 oferece uma base difícil de comparação, visto que foi a máxima histórica de resultados do grupo.

Pesos pesados

Marcas mais tradicionais dividem espaço com pesos pesados do campo da tecnologia. Dos Estados Unidos, por exemplo, o Walmart divide espaço com Amazon e Apple. O grupo chinês de e-commmerce e serviços de internet Alibaba também está na lista. Segundo Lino, nomes brasileiros do varejo virtual, como B2W e Magazine Luiza, não entraram na lista principalmente por terem operações limitadas ao Brasil, o que não ocorre com GPA e Natura.

Olhando para os índices globais, o profissional enxerga uma tendência lá fora parecida com a vista por aqui: enquanto nomes mais tradicionais do setor de consumo deixam de chamar atenção nas bolsas, marcas de varejo online ou que estejam, de alguma forma, ligadas à digitalização da sociedade avançam e renovam máximas históricas – fenômeno visto, na Bolsa de Nova York, com a Amazon, e aqui no Brasil, como B2W e Magalu.

“Isso sem dúvida é uma tendência global. As empresas que caminham para a digitalização, e não apenas da venda, mas também na operação dos canais, têm uma tendência de crescimento maior”, afirma Lino. Por esse motivo, explica ele, o ZRG Index tem o investimento em inovação entre os principais quesitos para “credenciar” as participantes.

Neste ponto, entretanto, as duas participantes brasileiras estão um pouco abaixo da média mundial, e não necessariamente pelo que ocorre porta adentro das companhias. “Não podemos esperar que empresas locais tenham o mesmo nível de investimento em inovação que as de fora se o mercado local não está preparado para alguns níveis de inovação”, considera. “Essas duas empresas [GPA e Natura] estão em linha com os pares globais, especialmente comparando com alguns anos atrás, mas ainda um pouco abaixo.”

Fonte: Estadão

2020-07-03T15:05:04-03:00julho 3rd, 2020|Categories: ABEVD Clipping|

Artigo – Estadão – Brasil tem uma alta carga tributária?

Notório e popular que a carga tributária no Brasil é alta, “uma das maiores do mundo”. Será?

 

Depende. O Brasil está entre os países da OCDE que menos tributam a renda, a herança e os ganhos de capital, mas está entre os primeiros que mais arrecadam sobre o consumo. É uma soma de tributos (IPI, PIS, COFINS, ICMS e ISS) que compõe o preço do bem e do serviço, o que faz parecer um fenômeno de mercado para quem paga, quando na verdade é uma decisão política.

 

Mesmo unificados, como propõe as PECs 45 e 110, ainda representarão em média 50% de tudo que é gasto no comércio, quando não mais a depender do serviço consumido.

 

Uma maior pressão fiscal sobre o consumo significa um menor poder de demanda das famílias, que representam mais de 60% do PIB. Aliás o Brasil foi desenhado para onerar a economia real, que produz e emprega, e desonerar o rentismo, o retorno do investimento em títulos e da especulação na compra e venda de ativos. Portanto temos 34% de IR/CSLL sobre o lucro das empresas, mas 15% a 22,5% de IR sobre a renda fixa (títulos públicos, por exemplo) e isenção, vale lembrar, nas LCI e LCA.

 

Aqui a média da tributação sobre a herança é 4%. Isto é 1/10 da alíquota média de tributação na Inglaterra (40%) e 1/3 no Chile (13%). Na França, essa alíquota atinge 60%, enquanto na Alemanha, Suíça e Japão ela atinge 50%. Nos EUA a alíquota média é de 29%. Aumentar a tributação da herança é um princípio liberal, lembrando aqui John Stuart Mill.

 

Por causa do nosso sistema tributário os que ganham menos além de não se utilizarem dos benefícios de uma carteira de ativos financeiros, de modo a se proteger da inflação, ainda são os maiores financiadores dos que se beneficiam dos títulos públicos, por exemplo, cujos rendimentos são tributados proporcionalmente menos. Temos a engenharia perfeita para produzir desigualdades sociais.

 

Sem dúvidas a tributação deve ser simplificada e proporcionar racionalidade para a tomada de decisão dos empresários. Mas esta agenda tributária não pode perder de vista relações fiscais mais justas e a necessidade de gerar uma maior propensão marginal para o consumo do povo, sem o que não há crescimento econômico. E uma renda básica universal há muito tempo já deveria ser praticada.

 

*Bruce Martins, advogado – B.I Tax / Lobo & Vaz

Fonte: Estadão

2020-07-03T15:03:44-03:00julho 3rd, 2020|Categories: ABEVD Clipping|

Artigo – Estadão – As novas debêntures de infraestrutura e a retomada dos investimentos privados no setor

À luz da previsão de que o PIB brasileiro, em 2020, retrairá até 7,5%, depois de tímido crescimento de 1,1% em 2019, voltou à carga a discussão respeitante à intensificação dos investimentos em infraestrutura, como forma de superação dos entraves estruturais à produção e de geração de postos formais de trabalho (com o consequente destravamento da demanda interna reprimida).

 

É consenso que o País ostenta déficit histórico de investimentos no setor. Nos últimos 15 anos, não mais do que 2,4% do PIB foram aportados em infraestrutura (1,69%, 0,4% e 1,87%, respectivamente, em 2017, 2018 e 2019). Para atingir estoque equivalente à média global, estima-se sejam necessários investimentos correspondentes a, ao menos, 5,5% do PIB, pelo prazo de 20 anos.

 

A forma de implementação de ditos investimentos é controversa. O tema resvala a discussão sobre a capacidade e a conveniência de o Estado financiar projetos de infraestrutura. Qualquer solução proposta, em todo caso, não poderá se furtar de considerar a grave crise fiscal vigente, catalisada pela recente queda de arrecadação.

 

Nesse contexto, tramita, sob a possível relatoria do dep. Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), o PL n. 2.646/2020, destacado do PL n. 7.063/2017, referente à “Lei Geral de Concessões“, fruto da compreensão do papel fundamental que os instrumentos de financiamento privado da infraestrutura exercerão, a curto prazo, para a recuperação econômica almejada.

 

Dentre outros aprimoramentos importantes, a criação das debêntures de infraestrutura, a par das existentes debêntures incentivadas (Lei n. 12.431/2011), merece ênfase.

 

Não obstante as debêntures incentivadas tenham alcançado, nos últimos 12 meses, volume recorde de captação (R$ 31,28 bilhões, contra R$ 20,38 bilhões injetados pelo BNDES), o potencial daqueles títulos restou prejudicado por diferentes fatores.

 

Em primeiro lugar, as captações acabaram por se concretizar em fases mais avançadas dos empreendimentos, quando estes já tinham sido implementados mediante outras fontes de financiamento. Isto ocorreu, em grande parte, em razão de os emissores das debêntures incentivadas serem obrigados, por lei, a demonstrar que os recursos captados serão alocados à solução de gastos e despesas ocorridos nos 24 meses seguintes ao encerramento da oferta pública. Some-se, a isso, o fato de as maiores incertezas quanto à viabilidade dos projetos se concentrarem, justamente, nas fases iniciais.

 

Em segundo lugar, a atratividade destes títulos, aos investidores institucionais, mostrou-se bastante tímida. Nas economias centrais, esta classe de inversores (e.g., fundos de pensão, seguradoras, entidades de previdência complementar), são os principais financiadores privados dos projetos de infraestrutura. Apesar disso, as debêntures incentivadas contemplaram tratamento tributário que privilegiou pessoas físicas residentes no País (isenção de IR) e, em segundo plano, pessoas jurídicas aqui sediadas (IR à alíquota de 15%). Tais incentivos, decerto, não lograram sensibilizar investidores institucionais que, em regra, já gozam de benefícios tributários similares (p. ex., cf. o art. 5º da Lei n. 11.053/2004 e o art. 69, § 1º, da LC n. 109/2001), e cujas decisões são pautadas, principalmente, pela análise da relação retorno/risco, e não por eventuais estímulos fiscais.

 

No mais, a rentabilidade média das debêntures incentivadas (em 2009, equivalente a IPCA + 4,7%) esteve em descompasso com os riscos inerentes ao mercado brasileiro. A razão para isto é, majoritariamente, estrutural – citem-se, p. ex., o efeito crowding out, intensificado nos últimos anos, e a patente insegurança jurídica do segmento, que dificulta planejamentos de longo prazo.

 

O primeiro dos citados entraves foi endereçado, pelo PL n. 2.646/2020, via extensão, a 60 meses, do prazo de comprovação da alocação. Com isso, possibilitar-se-á maior flexibilidade na definição dos gastos a serem custeados, estimulando-se a captação durante as fases iniciais do empreendimento.

 

A solução do segundo e do terceiro óbices, mais sensíveis, passa, justamente, pela criação das debêntures de infraestrutura, as quais, em seu cerne, contempla a transferência, aos captadores, de incentivos fiscais que, na sistemática das debêntures incentivadas, são postos aos investidores. Nesse sentido, as debêntures de infraestrutura permitirão, cumulativamente, aos emissores, a exclusão, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de até 30% dos juros pagos no exercício, majorados a 50% nos casos de projetos sustentáveis (greenbonds), além da dedução de aludidos juros na apuração do lucro líquido tributável.

 

Afora atrair investidores institucionais, tal mudança permitirá o oferecimento, a todos os subscritores, de rentabilidades mais elevadas, alinhadas a nossos notórios riscos macroeconômicos e setoriais.

 

Em contrapartida a essas mudanças, o PL n. 2.646/2020, sem descurar do resguardo à segurança jurídica e à previsibilidade, e em sintonia com as melhores experiências internacionais, andou bem ao prever mecanismos “antielisivos” capazes de evitar a criação de estruturas negociais carentes de substrato econômico, destinadas apenas ao aproveitamento de benefícios fiscais.

 

Apesar do exposto, o PL n. 2.646/2020 tem enfrentado resistência de parte do Executivo federal, contrária a novas “renúncias tributárias”. Esta é, todavia, uma orientação equivocada, que ignora os conhecidos multiplicadores fiscais vinculados aos aportes em infraestrutura, especialmente em cenários de déficit crônico de investimentos.

 

Não há dúvidas, pois, de que a aprovação do PL n. 2.646/2020 atenderá a anseios legítimos do setor de infraestrutura, como medida que se impõe para o urgente enfrentamento do iminente cenário de estagnação econômica.

 

*Rodrigo Petrasso, sócio do Toledo Marchetti Advogados

Fonte: Estadão

2020-07-03T15:02:55-03:00julho 3rd, 2020|Categories: ABEVD Clipping|