Considerado o ‘mês mais longo do ano’ pelo fato de ter 31 dias sem feriados, agosto foi escolhido por várias entidades para abrigar comemorações em prol da saúde. O mês começou com a campanha Agosto Dourado, em homenagem à Semana Mundial da Amamentação (1 a 7 de agosto); depois recebeu o Dia da Campanha Educativa de Combate ao Câncer (4 de agosto), o Dia Nacional da Saúde, o Dia Nacional da Vigilância Sanitária e o Dia da Farmácia (5 de agosto).

Em 8 de agosto celebra-se o Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol. A Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose começa dia 10 e, de 21 a 27, acontece a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. O mês termina celebrando o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29) e o Dia Nacional de Conscientização Sobre a Esclerose Múltipla (30). Além disso, as enfermeiras comemoram seu dia em 10 de agosto, os psicólogos no dia 27 e os nutricionistas no dia 31.

Todas as campanhas visam a conscientização da população para a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças – muitas completamente desconhecidas da maior parte das pessoas. Embora a prevenção de doenças seja um tema atual, o conceito de Medicina Preventiva surgiu no século 20. O movimento, iniciado entre 1920 e 1950 na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Canadá, criticava a medicina curativa e propunha mudar o foco da prática médica – que até então se concentrava exclusivamente no tratamento das doenças – para uma visão mais voltada à promoção da saúde.

No Japão, um dos precursores da Medicina Preventiva foi o médico sanitarista Minoru Shirota – fundador da Yakult –, que desenvolveu um leite fermentado com microrganismos probióticos (Lactobacillus casei Shirota) para prevenir os distúrbios intestinais que atingiam as crianças no Japão na década de 1920. Por acreditar que o ‘intestino saudável conduz a uma vida longa’, o pesquisador entendia que, se melhorasse a população de microrganismos residente na microbiota intestinal, conseguiria evitar as infecções intestinais.

Ao longo do século 20, milhares de estudos demonstraram que a microbiota intestinal está realmente envolvida com vários estados de saúde e de doença – que vão muito além das infecções e dos distúrbios intestinais –, confirmando os achados do médico Minoru Shirota e reforçando a necessidade de cuidados com os intestinos. Nos últimos 20 anos, graças às modernas ferramentas de biologia molecular e aos métodos de sequenciamento genético, os estudos relacionados ao microbioma humano ganharam mais peso e consistência.

A Yakult, multinacional japonesa que desenvolve produtos baseados na ciência da vida há 86 anos, investe em pesquisas constantes para entender de que maneira a microbiota intestinal pode ajudar a prevenir doenças. Entre as descobertas estão a possibilidade de controle de enfermidades metabólicas – como a elevação do colesterol e a resistência à insulina.

Em outro estudo, os cientistas avaliaram as propriedades imunomoduladoras do probiótico Lactobacillus casei Shirota para melhorar a função imune de idosos e adultos.

Além disso, o Instituto Central Yakult, em Tóquio, investiga a ação da cepa probiótica para ajudar na prevenção do câncer. Os pesquisadores da Yakult encontraram, mais recentemente, uma conexão entre a biologia do câncer e a resistência imunológica e, ao desenvolver experimentos, identificaram a eficácia do Lactobacillus casei Shirota em relação ao câncer de bexiga colorretal, pólipo adenomatoso e mama.

Os pesquisadores da Yakult também desenvolveram estudos que demonstraram a ação benéfica da cepa probiótica em relação a fumantes, sugerindo que a ingestão do Lactobacillus casei Shirota pode melhorar a atividade das células de defesa Natural Killer (NK), que geralmente são afetadas nos indivíduos com hábitos de fumo.

Nos últimos 10 anos, os cientistas também têm investigado o eixo cérebro-intestino-microbiota para entender até que ponto a comunidade microbiana intestinal está envolvida com transtornos psiquiátricos e do desenvolvimento, a exemplo de depressão, ansiedade, esquizofrenia, doença de Parkinson, mal de Alzheimer e transtorno do espectro autista. Boa parte dos resultados sugere que as bactérias intestinais podem ser um gatilho para o desenvolvimento desses transtornos por influenciar o sistema nervoso central e a formação dos circuitos de estresse.

Inúmeros estudos também já demonstraram que a amamentação é fundamental para os bebês, porque os anticorpos e as bactérias presentes no leite materno vão modular o intestino da criança, favorecer a formação de uma microbiota mais saudável e, consequentemente, ajudar a prevenir doenças na infância e na vida adulta. As bactérias presentes no leite humano já estão bem descritas na literatura científica e, segundo especialistas, a amamentação é fundamental até os seis meses de vida da criança e pode ser estendida até os dois anos de idade, sempre que possível.  Assim, ao celebrar todas as campanhas voltadas à saúde no mês de agosto, a comunidade médica nacional e internacional pretende que a população se conscientize e passe a ter hábitos mais saudáveis – que envolvem boa alimentação, prática de atividade física e consumo de alimentos contendo probióticos para manter o bom funcionamento do intestino –, fatores que favorecerão uma vida longa e saudável.