CEO da Vendah relata as etapas que levaram à criação da plataforma que permite ampliar o universo da venda direta via digital

O ápice da pandemia evidenciou duas realidades paralelas: de um lado, 50 milhões de mulheres fora do mercado de trabalho; por outro, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), mais de 80% das revendedoras já se utilizavam do WhatsApp para divulgar produtos. Estava, portanto, formado o cenário para a digitalização do mercado da venda direta, trocando o porta a porta pela interação via aplicativo de mensagens, oportunidade detectada para surgimento da Vendah. Por meio do aplicativo da plataforma, a revendedora tem acesso a cerca de 700 produtos voltados para casa, cozinha e decoração, em uma jornada em que compartilha a divulgação dos itens via Whatsapp, gera ali o pedido e envia o link de pagamento. A empresa, então, faz o envio da mercadoria à revendedora e esta realiza a “última milha” da logística. Descrevendo toda a trajetória da ideia à materialização do empreendimento, Luis Felipe Franco, CEO da Vendah, participou, hoje (05), da 827ª edição da Série Lives – Entrevista ClienteSA.

Indagado, de início, sobre a origem de sua veia empreendedora, Luis explicou que surgiu já na infância e se manteve mesmo depois de formado em engenharia mecânica pela USP. Embora atuando como trainee em uma grande multinacional alemã, já desenhava os primeiros modelos de negócio com seu primeiro sócio, também engenheiro, que era o seu pai. Foi assim que, em 2010, abandonou a recém-iniciada carreira corporativa para começar um negócio de gerenciamento de projetos industriais, ainda hoje existente. Entretanto, sua inquietação o levaria a tomar outros rumos, chegando a criação, em 2021, da Vendah. Nessa transição, ele havia passado pelo hub global de aceleração de empreendimentos, a Endeavor, refinando sua vocação por meio do apoio a empreendedores disruptivos. “Ali pude ver que não é fácil obter êxito na iniciativa de transformar toda uma indústria, mas é possível. Dali, saí para trabalhar em uma empresa de venda direta de produtos de beleza que, apoiada pela Endeavor, estava se constituindo em uma marca diferenciada com novos conceitos nesse mercado.”

Essa experiência permitiu a Luis confirmar seu pendor pelo fundamento do modelo D2C, podendo usar tecnologia e varejo, combinação pela qual sempre foi um entusiasta. Isso veio a calhar com a chegada da pandemia, quando se elevou muito o número de pessoas que precisavam continuar ganhando dinheiro, mesmo tendo perdido seus empregos e tendo de ficar em casa em função do lockdown. “Percebi, então, que só havia duas opções para essas pessoas: ou atuar na revenda das tradicionais empresas do porta a porta ou vender, informalmente, seus produtos caseiros. Não existia, no mercado, nenhuma marca nativa digital que oferecesse uma nova e promissora alternativa no sentido de ampliar as possibilidades.” Somado a isso, outro dado chamava a atenção, que era a existência de cerca de 50 milhões de mulheres alijadas do mercado de trabalho, levando-o à conclusão de que havia espaço e oportunidade para impactar a vida de muita gente.

Nessa linha, a gota d’água para empurrá-lo na decisão de empreender, enfrentando todos os riscos, foi perceber que o modelo que sonhava para disruptar no segmento já estava sendo aplicado em outro país. O primeiro passo, então, foi aproveitar esse momento da crise sanitária global para conversar com muitas revendedoras, conhecer seu universo, com todas as dificuldades e anseios inerentes. “Sempre fui partidário de que a melhor forma de minimizar o risco é conhecer com profundidade seus clientes, suas dores e estudar os dados com muito zelo. Para isso, criei um site na internet que atraía pessoas interessadas em trabalhar como revendedoras, conversando pessoalmente com 100% de quem acessou o canal.”

Além da descoberta dessa conexão com o público, Luis entendeu que era necessário já contar com produtos para os mais decididos já iniciarem suas atividades. Buscando os primeiros 50 itens em marketplaces já existentes, começou a consolidá-los na plataforma batizada de Vendah, mas ainda sem CNPJ e colaboradores para comprar, embalar e enviar os produtos para as primeiras equipes de revendedores. Porém, o negócio ganhou força, justamente, no entendimento de Luis, pelo sucesso nesse esforço de conhecer as dores dos verdadeiros clientes do empreendimento, o público revendedor, que, nessa breve história de menos de três anos, já alcançou picos de 40 mil pessoas atuando para uma organização que já conta com 70 profissionais nos times de vendas. “Tudo porque não perdemos jamais essa essência da centralidade no cliente, esse contato permanente com a ponta do negócio, pois nascemos para servir a revendedora.”

Depois de explicar que essa cultura se cristaliza por meio de uma construção diária, como se cada dia da empresa fosse o primeiro, o CEO explicou a importância da cofundadora Ilana Nasser atuando como CXO, acompanhando de perto toda a experiência das revendedoras no dia a dia do negócio e disseminando essa cultura pela organização. “Ou seja, somos uma das raríssimas startups que contam com uma diretora da experiência do cliente.” Ainda houve tempo para Luis responder a questões vinda da audiência, como, por exemplo, sobre a forma de digitalizar a atividade das milhares de revendedoras obtendo ganhos satisfatórios e mantendo a confiabilidade no modelo de negócio, conquistando também fidelização. Além disso, explicou os diferentes tipos de venda direta existentes, sendo que, no caso da Vendah, a mesma se dá no chamado mononível e não por meio de ramificações de vendas. Trata-se de um marketplace gerenciado, com mais de 80% de produtos importados, garantindo a distribuição até chegar à revendedora, a qual responde pela última milha da logística.

Entrevista na íntegra:

Fonte: Cliente SA.