A fabricante de cosméticos Natura&Co (ativo=NTCO3]) divulgou resultados que animaram os investidores, com prejuízo líquido de R$ 156,6 milhões no primeiro trimestre, uma melhora considerável, com queda de 81% ante o resultado negativo de R$ 824,9 milhões apresentado um ano antes.

A companhia, dona da marcas The Body Shop e Avon, registrou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 829 milhões entre janeiro e março, alta de 470,7% em um ano. Em termos ajustados, o Ebitda foi de R$ 963,2 milhões, com margem de 10,2%.

Esse resultado veio apoiado numa receita líquida consolidada que atingiu R$ 9,5 bilhões, alta de 25,8%, com impulso das operações no Brasil e em países de língua espanhola.

Os ativos NTCO3 fecharam com alta de 3,90%, a R$ 49,23, após atingiram uma máxima de 6,88%, a R$ 50,64, no início do pregão. No ano, contudo, os papéis ainda caem cerca de 6%.

Luís Sales, analista da Guide, aponta que a Natura tem apresentado sólida recuperação em virtude de forte resultado em decorrência de vendas diretas e online, o que ocasionou na diminuição do prejuízo, e ainda houve significativa redução de sua dívida líquida, apesar da empresa ter realizado grandes aquisições nos últimos anos.

“A Natura tem se mostrado muito confiante no que tange à potencial sinergia resultante da fusão com a Avon e ainda deverá ser beneficiada com a reabertura de lojas, em especial as da The BodyShop, nos mais de 100 países que o grupo possui presença”, aponta.

Segundo os analistas Robert E. Ford, Melissa Byun e Vinicius Strano, do Bank of America, foi destaque do resultado da Natura no primeiro trimestre o crescimento de 25,8% da receita líquida em reais, acima da média global dos mercados de beleza e cuidados pessoais.

Além disso, a equipe do banco também ressalta a expansão de 166% nas vendas online, que atingiram uma fatia de 12% do total de vendas, o que compensou o aumento nas restrições à mobilidade impostas pelas autoridades para conter a proliferação da Covid-19.

Nos três primeiros meses deste ano, a receita da Natura & Co na América Latina aumentaram em 24,6% e as vendas na Natura Brasil se expandiram em 12,6%. “Enquanto a Avon na América Latina hispânica cresceu impressionantes 15% sem efeito cambial, a Avon Brasil caiu 2,8% conforme desenvolve um novo modelo comercial”, escreve o BofA.

Sobre o Ebitda, os analistas lembram que o indicador ajustado teve um crescimento de 68,5% em reais e que a margem se expandiu em 260 pontos-base em meio a melhores alavancagem operacional e sinergias.

As projeções do banco americano para o lucro por ação em 2021 e 2022 foram reduzidas de R$ 0,97/R$ 1,64 para R$ 0,90/R$ 1,44 na incorporação de despesas de implementação de sinergia. Entretanto, foi mantido o preço-alvo em R$ 60, baseado em uma expectativa de múltiplo 42 vezes o preço dividido pelo lucro em 2022, ante 37 vezes anteriormente, devido ao maior potencial esperado para as margens da Avon e também incorporando R$ 450 milhões em melhores sinergias a serem atingidas até 2024.

“Nosso preço-alvo coloca a Natura em níveis de valuation comparáveis com líderes globais de crescimento mais lento”, avalia a equipe do BofA, para quem o constante crescimento de 15% da Avon América Latina hispânica pode ser um indicador para melhora mais ampla enquanto a marca se aproveita de sutis, mas profundas mudanças culturais e estruturais.

A recomendação do BofA para as ações NTCO3 é de compra e o preço-alvo de R$ 60 representa uma valorização de 26,64% ante o fechamento dos papéis no pregão da véspera.

Já os analistas Richard Cathcart e João Andrade, do Bradesco BBI, consideraram o resultado da Natura como “de muita qualidade”, destacando que as vendas sem efeito cambial avançaram 13% no Brasil e 48% na América Latina hispânica.

Para a equipe do Bradesco BBI, o aspecto mais impressionante do resultado da Natura foi a margem Ebitda (obtida pela divisão do Ebitda pela receita líquida) de 12,2%, bem acima dos 6,4% no primeiro trimestre de 2019, quando não havia pandemia de coronavírus.

Outro ponto importante é que, apesar da queda de 11% nas vendas em taxas cambiais constantes na comparação anual, a marca Natura está ganhando market share nos seus oito maiores mercados, inclusive Reino Unido e Filipinas.

“Então, embora a receita siga enfraquecida, esses ganhos de participação são um sinal positivo de que a nova campanha de marketing da empresa e iniciativas para melhorar o engajamento dos representantes estão dando frutos”, escrevem os analistas.

Também em destaque, a Aesop continua, de acordo com o Bradesco BBI, a reportar resultados excepcionais, com um crescimento com câmbio constante de 31%, ao passo que a TBS (The Body Shop) também mostrou uma forte performance com expansão de 6% nas vendas com câmbio constante sem levar em consideração a aquisição da operação japonesa.

A recomendação do Bradesco BBI para as ações da Natura é outperform (desempenho acima da média do mercado) com preço-alvo de R$ 65, o que corresponde a uma valorização de 37,2% sobre o fechamento de ontem. De quatorze casas que cobrem o ativo, segundo compilação Refinitiv, sete possuem recomendação de compra, cinco têm recomendação neutra e duas recomendam venda do papel.