Imagem negativa no exterior tem impacto na reputação do país, mas também nos negócios, diz documento

Um grupo de 40 empresários, além de representantes de entidades setoriais, entregou uma carta ao vice-presidente Hamilton Mourão, que é presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, pedindo ao governo o combate ao desmatamento na Amazônia.

Segundo o grupo, a imagem negativa do Brasil no exterior em relação às questões socioambientais tem impacto não só na reputação do país, mas também nos negócios realizados por essas companhias.

No final do mês de junho, um grupo de investidores internacionais que gere US$ 3,75 trilhões (cerca de R$ 20 trilhões) em ativos também enviou uma carta aberta a embaixadas brasileiras em oito países manifestando preocupação com o aumento do desmatamento no Brasil.

A carta ao vice-presidente, que também será protocolada no Supremo Tribunal Federal, Senado Federal, Câmara dos Deputados e na Procuradoria Geral da República (PGR), está sendo entregue um dia depois de o Ministério Público Federal pedir que a Justiça Federal afaste em caráter de urgência o ministro Ricardo Salles da pasta do Meio Ambiente.

O pedido faz parte de uma ação civil pública movida por 12 procuradores da República, que acusam Salles de “desestruturação dolosa das estruturas de proteção ao meio ambiente”.

Assinam a carta não só empresários do agronegócio, mas também presidentes de companhias que atuam no setor de serviços e da indústria, como Jean Jereissati Neto, da Ambev; Octavio de Lazari Junior, do Bradesco; Candido Bracher, do Itaú Unibanco; João Paulo Ferreira, da Natura; Sergio Rial, do Santander; André Araújo, da Shell; Marco Stefanini, da Stefanini, de tecnologia; Fernando Serec, do escritório de advocacia TozziniFrreire, entre outros.

Além de chamar a atenção para a imagem negativa do país no exterior, os empresários apontam ações a serem adotadas para reduzir o sentimento negativo de investidores e consumidores estrangeiros em relação ao Brasil.

Os executivos apontam que a imagem negativa tem enorme potencial de prejuízo para o Brasil, não apenas do ponto de reputação, mas também para o desenvolvimento de negócios e projetos fundamentais para o país.

“É preciso que o governo federal dê garantias ao setor empresarial brasileiro de que algumas das ações e compromissos que estamos apresentando sairão do papel”, defende Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Na Amazônia e outros biomas brasileiros, o grupo defende o combate ao desmatamento ilegal.

“Para o setor empresarial que atua dentro da lei e de forma correta, social e ambientalmente responsável, não há controvérsia entre produzir e preservar. O desmatamento ilegal é crime”, defende Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira da Árvore (Ibá).

No comunicado, os empresários lembram que muitas empresas já desenvolvem soluções de negócios integradas à bioeconomia, com rastreabilidade dos produtos, inclusive, na Amazônia.

Por isso, eles defendem que é possível dar escala às boas práticas “a partir de políticas consistentes de fomento à agenda ambiental, social e de governança”, disse Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Além do desmatamento, as ações prioritárias apontadas pelos empresários incluem a inclusão social e econômica de comunidades locais para garantir a preservação das florestas e a minimização do impacto ambiental no uso dos recursos naturais.

“A valorização e preservação da biodiversidade como parte integral das estratégias empresariais; a adoção de mecanismos de negociação de créditos de carbono; direcionamento de financiamentos e investimentos para uma economia circular e de baixo carbono; e pacotes de incentivos para a recuperação econômica dos efeitos da pandemia da Covid-19”, diz o documento.

Os empresários lembram na carta que o Brasil tem a oportunidade única, os recursos, e o conhecimento para dar escala às boas práticas e planejar estrategicamente o futuro sustentável do país.

“É preciso redirecionar os investimentos para enfrentamento e recuperação da economia brasileira em um modelo de economia circular, de baixo carbono, e inclusiva”, afirmam os empresários no documento.

Fonte: O Globo