Violência. A jovem médica, Lorena Quaranta (27), trabalhava arduamente no hospital em Messina, na Itália, para combater o vírus covid-19. Muitas vezes, ela passava noites em plantões duplos para ajudar ao máximo que podia. Porém, muitos não sabiam que Lorena seria uma das mulheres que precisaria de ajuda dentro de casa. Vivendo num relacionamento com o enfermeiro Antônio de Pace (28), ao voltar para a casa ele a assassinou por acreditar ter sido “contaminado” com coronavírus por ela. No final, ambos testaram negativo ao teste.

A violência contra mulher já é tratada há muito tempo como um problema de segurança em muitos países. Entretanto, durante a pandemia do coronavírus o isolamento social deixou diversas mulheres trancafiadas com seus agressores dia e noite. Os dados que tratam sobre a violência doméstica aumentaram nos países em quarentena, como China, Itália, França e, obviamente, o Brasil. Sem poder ir a delegacia e com medo da violência, as vítimas enfrentam a dificuldade de denunciar as agressões.

Atenta a intensificação do problema diante da pandemia, a Ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, chamou a atenção para o aumento de 9% dos casos de violência no início de abril. Com isso, a ministra também anunciou que as denúncias poderão ser feitas por aplicativo em telefone celular.

Contudo, as medidas ainda não são suficientes para garantir a segurança as mulheres. Assim, segundo um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicado nesta segunda-feira (20), é apontado a queda no registro oficial de casos de violência contra a mulher.

Apoio nas redes sociais
Entretanto, o levantamento também revelou que houve um aumento em 431% de relatos no Twitter de brigas entre casais. Totalizando 52.315 menções na rede social, 5.583 tweets indicaram violência doméstica.

Dessa forma, foi verificado na pesquisa que 67% dos relatos foram feitos por mulheres. Também foi indicado a incidência das ocorrências, sendo 25% feitas às sextas-feiras. 53% foram publicadas durante a noite e madrugada, entre 20h e 3h.

Em entrevista para o G1, a diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, falou sobre a dificuldade das mulheres em denunciar seus agressores.

“As mulheres que estão confinadas podem estar encontrando dificuldades para fazer o registro das ocorrências, uma vez que a principal porta de entrada para denunciar esses crimes são as delegacias de polícia” declarou.

Enquanto mulheres não conseguem denunciar a violência para as delegacias, campanhas de suporte surgem e ganham espaço na internet. Assim, as janelas abertas se tornaram um símbolo para mulheres em situação de violência doméstica, mostrando que ali é um ponto de apoio.

As marcas de beleza Natura, Avon e BodyShop também se juntaram para incentivar a proteção das mulheres em vulnerabilidade. O movimento “Isoladas Sim, Sozinhas Não” alerta sobre os casos de violência de gênero, manifestando informações sobre o tema.

“Estamos trabalhando para dar suporte, orientação e contribuir para que as vítimas saibam identificar situações de violência e a quem recorrer neste momento” afirmou a diretora de vendas Brasil, Cida Franco.

De forma que o movimento busca valorizar a importância de cada pessoa, foi oferecido nas redes sociais um documento para ser impresso e compartilhado nos prédios ou condomínios.

Contra a violência
Diante da pandemia, muitas celebridades também mostraram o apoio ao combate à violência contra mulher. A cantora Rihanna se juntou com o CEO do Twitter, Jack Dorsey, para doar US $ 4,2 milhões a instituição que ajuda vítimas de violência doméstica.

Já no Brasil, a cantora Valesca Popozuda postou em seu Twitter uma mensagem de apoio a todas as mulheres em situação de risco na quarentena.

Por fim, em relação ao mesmo mês do ano anterior, São Paulo registrou um aumento de 46,2% dos casos de feminicídio. Porém, a situação mais agravante se encontra no estado do Mato Grosso, com um aumento de 400%. Contudo, o estado do Pará também teve um alto crescimento, de 185%.

Para denunciar qualquer tipo de violência contra mulher ligue:

PM – Disque 190
Central de Atendimento à Mulher – Disque 180

Fonte: R7