A vice-presidente da líder de produção e venda de lingerie do Brasil abordou os desafios da sua carreira, sua relação com a Venda Direta e o período de pandemia

Nos mais de 70 anos de existência, a qualidade dos produtos da DeMillus – que está no mercado desde 1947 – é indiscutível. Por isso, em pouco tempo, conquistou e manteve a liderança, sendo a empresa que mais vende lingerie do Brasil.

Desde 1984 atuando na DeMillus, Eva Goldman, a vice-presidente da empresa referência em moda íntima feminina e associada da ABEVD, considera os maiores desafios de sua carreira as mudanças frequentes de moeda do país e o início da pandemia por Covid-19.

Com exclusividade, Eva falou com a ABEVD sobre sua relação com a Venda Direta, a pandemia e empreendedores independentes.

ABEVD – Pode nos contar um pouco da sua história pessoal e sua vida acadêmica? 

Eva Goldman – Sou engenheira elétrica, formada pela PUC RJ. Iniciei trabalhando na área de sistemas, em Furnas e Dataprev. Iniciei um pequeno negócio de Vendas pelo Reembolso Postal, com meu marido e cunhados, mas com a maternidade e com a mudança dos cunhados para São Paulo, fiquei sobrecarregada e desisti da carreira de “empresária”. Mas já havia me apaixonado por vendas remotas.

ABEVD – Como era o mercado de venda direta quando iniciou neste segmento?

Eva Goldman – A Avon reinava soberana no Brasil, a Natura fazia um lindo trabalho, e muitas outras existiam buscando seu espaço.

ABEVD – O que mais te atrai no mercado de venda direta? 

Eva Goldman – Despertar nas pessoas o talento que nem sabiam que tinham. Descobrem que podem mudar sua vida, concretizando sonhos e alcançando seus objetivos.

ABEVD – Qual seu conselho para as pessoas que estão pensando em ingressar no
segmento de Vendas Diretas como empreendedor independente? 

Eva Goldman – Sugiro que escolham a linha de produtos com que se identificam (seja lingerie, cosméticos, alimentos, etc), pois é mais gratificante e verdadeiro comercializarmos itens que usamos e gostamos.

ABEVD – Qual a importância dos empreendedores independentes (revendedores) para a DeMillus? 

Eva Goldman – Os revendedores são a maior riqueza para a DeMillus, são os embaixadores da marca, testemunhando a qualidade e oferecendo o produto adequado ao consumidor.

ABEVD – O que a DeMillus faz para educar e capacitar seus empreendedores?

Eva Goldman – Além de oferecer reuniões presenciais, a cada campanha, passamos a oferecer lives muito estimuladas pelo período de afastamento que vivemos em 2020/2021 – e que abriu novas perspectivas, pois aproximou milhares de pessoas às ferramentas digitais.

ABEVD – A venda direta digital foi essencial na pandemia?

Eva Goldman – Sim, de início possibilitou a manutenção das vendas, e no período onde estamos mais liberados, deu grande alavancagem aos negócios. Todos aprendemos, no mínimo, a usar o poder da divulgação via WhatsApp.

ABEVD – Como a pandemia alterou sua forma de trabalho? 

Eva Goldman – As reuniões gerenciais com a equipe própria passaram a ser feitas de forma remota, o que possibilitou o contato com mais frequência. E economia nos custos e no tempo de deslocamento.  Passamos a preparar mais material para a equipe de vendas usar com os revendedores e estes com suas clientes.

ABEVD – Acredita que o pós-pandemia será benéfico para as vendas diretas? 

Eva Goldman – Sim, apesar da concorrência do varejo físico com a venda direta, pelo “bolso” do consumidor, a Venda Direta se fortalece com o contato físico, característico da nossa operação.

ABEVD – Quais foram os principais desafios de sua carreira? 

Eva Goldman – Como os planos econômicos que nosso país passou, com congelamentos, desabastecimentos, etc.   Como manter ativa a empresa no início da pandemia.

ABEVD – Qual a principal contribuição você espera deixar como vice-presidente da
DeMillus? 

Eva Goldman – Espero deixar na equipe a crença na importância da qualidade do produto que comercializamos e o carinho com a equipe de campo.

ABEVD – Como vê o desempenho da DeMillus durante o período da pandemia e quais os planos para o período pós-pandemia? 

Eva Goldman – Na realidade, apesar da tristeza com as perdas pessoais que enfrentamos no país, da situação econômica que se agravou, da dificuldade com os insumos e do grande aumento de custos destes itens, para a DeMillus, e para todo o setor, o período foi de grandes resultados.  O desafio agora é maior e estamos buscando soluções.

ABEVD – A economia brasileira caiu com a pandemia, mas a venda direta cresceu. Você acredita que adicionar a venda direta nos canais de vendas é o caminho para as empresas se manterem no mercado? 

Eva Goldman – A venda direta tem suas peculiaridades e enorme custo em estoque, pois faltar itens no atendimento é um empecilho à sobrevivência do negócio.

ABEVD – Nos momentos livres, o que gosta de fazer? 

Eva Goldman – Jogo golfe com meu marido e amigos, e me entretenho com os netos.