A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) divulgou, ontem, o resultado da pesquisa “Termômetro de Vendas”, que revelou o maior crescimento do comércio varejista da capital mineira para o mês de julho nos últimos seis anos.

O varejo de Belo Horizonte cresceu 3,06% em julho na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, dado que significa não só um alívio para o comércio em meio à pandemia da Covid-19, mas que demonstra uma elevação nas vendas não registrada desde 2015.

Segundo o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o resultado do levantamento foi uma surpresa positiva: “Nós esperávamos que o cenário melhorasse em relação ao ano passado, mas não assim. E julho é um mês normalmente fraco em Belo Horizonte, a cidade costuma ficar vazia”, aponta.

Desempenho do comércio no ano 

O Termômetro de Vendas mostrou, ainda, crescimento de 2,12% no acumulado dos primeiros sete meses deste ano em relação ao mesmo período de 2020. Considerando julho, ante o mês imediatamente anterior, a aceleração foi de 0,43%.

Para o presidente da CDL/BH, a evolução da vacinação dá mais segurança para as pessoas irem às compras, fator que se complementa ao hábito que lojistas e consumidores criaram de se relacionar virtualmente. Além disso, a reabertura do comércio, dos bares, restaurantes e locais de lazer têm sido determinantes para o crescimento, conforme Silva.

Entretanto, segundo Silva, apesar desses fatores e do aumento da empregabilidade na Capital, o que faz com o que dinheiro circule novamente, é necessário que a política econômica como um todo esteja mais ajustada. “Estamos acompanhando a inflação mais alta, a demanda global reprimida e o aumento dos juros. E isso prejudica diretamente as famílias que têm empréstimos. É necessário controlar esses pontos para que esse crescimento não fique manchado”, afirma.

Vendas por setor

Ainda de acordo com a pesquisa, entre junho e julho de 2021, os segmentos que apresentaram desempenhos mais significativos foram o de informática (1,53%), vestuário e calçados (1,48%), artigos diversos como brinquedos, óticas, caça, pesca, material esportivo, bicicletas e instrumentos musicais (1,4%) e papelaria e livrarias (1,09%).

Em relação aos setores que não acompanharam o ritmo de crescimento registrado nos meses estão os segmentos de eletrodomésticos e móveis (-1,43%), drogarias e cosméticos (-1,21%), material elétrico e de construção (-0,82%) e supermercados (-0,42%).

Como destaque, vestuários e calçados tiveram o melhor desempenho no acumulado do ano, sendo que, no comparativo entre janeiro e julho de 2021 e o mesmo intervalo do exercício passado, o setor cresceu 13,53% na Capital, seguido por artigos diversos (9,39%), drogarias e cosméticos (8,19%), material elétrico e de construção (7,16%), informática (3,3%) e supermercados (2,44%).

No acumulado do ano até julho, os comerciantes de eletrodomésticos e móveis e papelarias e livrarias tiveram, até o momento, os piores desempenhos, registrados como -6,43% e -5,7%, respectivamente.

Na comparação de julho de 2021 com o mesmo mês do ano anterior, os segmentos que apresentaram crescimento foram: vestuário e calçados (8,11%), artigos diversos (4,92%), veículos e peças (4,5%), informática (2,24%), papelarias e livrarias (1,78%) e drogarias e cosméticos (1,76%). Os segmentos que apresentaram queda foram: material elétrico e de construção (-1,36%), eletrodomésticos e móveis (- 0,64%) e supermercados (- 0,21%).

Consumidor está cauteloso no País

São Paulo – A confiança do consumidor brasileiro para as compras no comércio ficou estagnada em setembro. É o que revela o Índice Nacional de Confiança (INC), divulgado ontem pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Este mês, o índice registrou 74 pontos, mesmo valor de agosto. Considerando-se apenas o estado de São Paulo, o índice chegou a 75 pontos, dois pontos acima do registrado em agosto.

Segundo a ACSP, esse resultado interrompe a tendência que apontava para uma melhora do humor do consumidor brasileiro.

“As pessoas têm menos dinheiro por conta da crise causada pela pandemia, mas o consumo, que estava reprimido graças à falta de mobilidade urbana, está acontecendo normalmente”, disse o economista da ACSP, Ulisses Ruiz de Gamboa. “Entendemos que existe a cautela neste momento porque os reflexos da crise da Covid-19 ainda são muito sentidos”, explicou.

Comportamento – O Índice Nacional de Confiança vai de zero a 200 pontos e mede a visão e a segurança da população em relação ao país e às finanças e prevê, também, o comportamento dessas pessoas na hora da compra. Quando o índice soma abaixo de 100 pontos, indica pessimismo. Acima de 100 pontos significa otimismo.

Segundo a ACSP, o último registro otimista, marcando 100 pontos, ocorreu em janeiro de 2020, antes da pandemia do novo coronavírus.

A pesquisa ouviu 1.597 pessoas de todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. (ABr)