Estadão – Sacoleira 4.0 aposenta viagens e incrementa venda com atacado online

23 de agosto de 2019

Assim como a tecnologia mudou o comércio para o consumidor final, os negócios que envolvem atacadistas e revendedores (chamados de B2B, ou business to business) também estão sendo impactados e, com isso, a vida das sacoleiras já não é mais a mesma.

Poucos anos atrás, a rotina dessas revendedoras baseava-se em comprar in loco mercadorias em polos atacadistas como as regiões do Brás e do Bom Retiro, em São Paulo. Mas o número crescente de marketplaces atacadistas – Giro no BrásFeira da Madrugada SPAtacado.com, esses de São Paulo, além de Sou Lojista (SC) e Atacado.moda (PE) – tem eliminado as pesadas sacolas desse processo.

Nesses shopping virtuais, sacoleiras de todo o País conseguem ter acesso a fábricas atacadistas de diversas regiões, realizar pedidos online e receber em casa em todo o Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), são mais 4 milhões de sacoleiras no País, sendo 56,7% mulheres.

Lançado em outubro do ano passado, o Giro no Brás reúne 64 fábricas parceiras que recebem, juntas, uma média de 500 pedidos mensais – a ideia é chegar a 100 fábricas até o fim deste ano. O grosso (60%) é para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, mas pedidos são feitos até em localidades do interior de Amazonas e Pará.

“O Brás vem tendo uma redução nas visitas, pois as viagens estão muito caras e demandam tempo. A plataforma online foi criada para movimentar a indústria do Brás e ajudar quem não consegue viajar”, conta Viviane Marrese, CEO do Giro no Brás.

Mais conhecida como Vivi na região, ela conta que os preços oferecidos no site são os mesmos dos das fábricas, o frete é grátis e ainda há tutorial para quem precisa. “Muitas delas têm dificuldades de realizar compras pela internet, então damos um atendimento personalizado por telefone e vídeos ensinando o passo a passo da compra.”

Residente de Cachoeiro de Itapemirim (ES), Roberta Bolzan é uma das clientes do Giro no Brás e, sem tempo para viajar a São Paulo, compra tudo pela internet. Além disso, conta, o mercado de moda plus size, em que atua, está “defasado” em sua cidade.

Roberta começou a revender roupa de porta em porta há quatro meses, para complementar a renda como técnica de enfermagem. Investiu cerca de R$ 800 na primeira compra, obteve lucro e já realizou outros pedidos.

Diz já ter tido problema com uma compra na internet, e o pedido veio com a mercadoria errada. “Mas fui muito bem atendida por telefone e pelo site e tudo foi resolvido.” Agora planeja uma viagem a São Paulo para conhecer melhor as peças. “Meus clientes me perguntam como são as roupas, então quero ir para conhecer melhor as peças.”

Fuga da sacoleira tradicional

Lojista do Brás, Kazue Nakandakari percebeu o movimento das sacoleiras para o mundo digital e por isso decidiu ser parceira do Giro no Brás. “O modelo de negócio que estávamos trabalhando até uns cinco anos atrás não está mais funcionando. Se ficarmos aqui esperando o cliente, ele não vai vir até a fábrica”, conta ela, que é modelista e dona da Eruption Jeans, fábrica de jeans plus size.

Com o incremento das vendas nos últimos meses, Kazue agora pensa em entrar em outros marketplaces, para atingir mais sacoleiras. “Cada dia mais elas conhecem mais as plataformas. As fábricas também são obrigadas a se antenar com as novas tecnologias.”

Outra plataforma atuante em São Paulo, o e-commerce Feira da Madrugada SP foi fundado em 2012 e hoje conta com mais de 25 fábricas parceiras e 4.500 mil pedidos mensais.

Segundo o CMO da empresa, Lucas Costa, as vendas – que também têm frete grátis – aumentaram 8% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, e eles apostam em um atendimento personalizado para atrair mais clientes.

“As sacoleiras ainda viajam para o Brás para comprar, mas cada vez menos. E muitas delas ainda não sabem mexer direito na internet. Então, temos um time de atendimento para quem não entende direito como funciona.”

Fonte: Estadão