CEOs da Klabin, Randon e Natura contaram como estão adotando a agenda ESG em seus negócios no evento virtual de premiação de Melhores e Maiores, da EXAME

O termo em inglês ESG, sigla para environmental, social and governance (ou ambiental, social e governança, em português) tem sido cada vez mais empregado no Brasil e no mundo para descrever as medidas tomadas por empresas empenhadas em mitigar o impacto delas sobre o meio ambiente – e, na ponta, colaborar para resolver grandes desafios, como as mudanças climáticas e a desigualdade social.

Na prática, o que as empresas estão fazendo para adotar a agenda ESG como estratégia de negócios? Esse foi o mote para o debate ESG – Papo de Impacto, que reuniu os CEOs da fabricante de cosméticos Natura, João Paulo Ferreira, da fabricante de autopeças Randon, Daniel Randon, e Cristiano Teixeira, da gigante de papel e celulose Klabin. O debate fez parte de Melhores e Maiores, premiação que há 47 anos premia as empresas de maior destaque do país.

Para Teixeira, da Klabin, a agenda de ESG é a evolução de políticas de sustentabilidade já adotadas pelos negócios há décadas – e amplificadas em virtude das exigências crescentes dos consumidores.

A Klabin desenvolve políticas de sustentabilidade há pelo menos 40 anos com cuidados como o emprego de madeira vinda de áreas de reflorestamento e a preservação dos mananciais. Para os próximos anos, novas políticas para otimizar o uso das florestas devem estar no centro das atenções da agenda ESG da Klabin.

O momento, contudo, é de experimentação. “A gente está numa fase de entender quais são os critérios (para avaliar a agenda ESG”, disse Teixeira, no debate. A companhia despontou como a melhor do ano no agronegócio na 47ª edição de Melhores e Maiores, e alcançou neste ano seu maior valor em bolsa da história — está avaliada em mais de 25 bilhões de reais.

A economia do planeta foi impactada pela pandemia. E, após o mundo ficar de ponta cabeça por causa do novo coronavírus, muitas empresas reforçaram suas agendas ESG numa tentativa de evitar novos percalços na relação do homem com a natureza.

Para João Paulo Ferreira, da Natura, a pandemia serviu para “radicalizar” a agenda ESG da empresa. Desde o início da crise sanitária, a empresa colocou boa parte dos funcionários em esquema de trabalho remoto, investiu em programas para capacitar as revendedoras para trabalharem pela internet (e com segurança), além de terem feito campanhas de doação de álcool gel.

Além das preocupações com a saúde física das revendedoras, a pandemia trouxe cuidados com a saúde mental desse público. “Vimos a importância de criar programas contra a violência doméstica”, disse Ferreira, lembrando que o isolamento agravou este problema.

Em outra frente, em julho, a companhia juntou-se a gigantes como Microsoft, Starbucks e Unilever num compromisso de zerar as emissões de carbono de seus negócios até 2050.

Ao mesmo tempo, a companhia quer ampliar a agenda de diversidade. A meta é que, até 2030, pelo menos 30% da mão de obra venha de grupos sub-representados, sejam raciais ou étnicos, diversidade sexual e identidade de gênero (LGBTI+), pessoas em posição de vulnerabilidade socioeconômica, com deficiência física ou mental.

Neste ano, a companhia chamou o ator e político Thammy Miranda, que passou por cirurgia para mudança de sexo, para estrelar a campanha do Dia dos Pais. O burburinho gerado pela publicidade nas redes sociais animou os investidores: as ações da Natura chegaram a um valor recorde em 2020 — hoje está acima de 30 bilhões de reais.

“Com a pandemia, as empresas reconheceram que as pessoas são mais importantes que as coisas”, disse Ferreira, no debate Papo de Impacto. “O propósito do negócio é hoje mais importante que o lucro.”

Daqui para frente, a tendência é a agenda ESG moldar até mesmo o modelo de negócios das empresas. Na Randon, os próximos meses serão de testes para o lançamento, em 2021, de um modelo de carreta com motor híbrido – movido a combustível fóssil e elétrico.

“Esses materiais terão materiais mais leves e que podem reduzir o impacto ao meio ambiente”, diz Randon, lembrando que a empresa de autopeças sediada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, mantém políticas de sustentabilidade desde os primórdios da empresa, nos anos 70.

Fonte: Exame