Natura&Co disse em comunicado que avalia venda de fatia na empresa, mas não descarta cisão ou IPO, após notícias da véspera

Na véspera, ganhou destaque no mercado a notícia de que a Natura &Co (NTCO3) conversa com Bank of America e o Morgan Stanley para vender uma fatia da sua controlada Aesop, marca de luxo da Natura, de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg.

A Aesop atraiu interesse da empresa de private equity CVC Capital Partners e concorrentes como L’Occitane e Shiseido para uma potencial aquisição minoritária, de acordo com a publicação.

Segundo a reportagem, a Natura havia manifestado preferência por uma oferta pública inicial da Aesop, mas agora está inclinada para a venda de uma participação minoritária devido a condições do mercado de ações.

A Natura &Co confirmou, em comunicado, que a administração da companhia permanece avaliando estruturas alternativas estratégicas envolvendo o investimento na subsidiária Aesop, em linha com os objetivos de, entre outros, financiar o crescimento acelerado da Aesop e proporcionar maior autonomia e responsabilidade às suas marcas e unidades de negócios.

“O processo de venda de participação minoritária está em estágio inicial de consultas sigilosas e não há até o momento qualquer definição quanto aos termos e condições de uma potencial transação”, diz o comunicado publicado nesta manhã.

Nesta quarta-feira (30), os papéis NTCO3 chegaram a subir 4,78%, mas fecharam longe das máximas, com avanço de 1,74%,  a R$ 11,71.

Para o Itaú BBA, o desinvestimento da Aesop poderia ser positivo para a Natura&Co porque desalavancaria a empresa e potencialmente traria o múltiplo de preço sobre o lucro (P/L) de curto prazo para um nível mais confortável.

Analistas acreditam que a disposição da Natura de avaliar a venda para um parceiro estratégico, ao invés do que um potencial IPO, aumenta a probabilidade de uma conclusão do negócio dado as atuais condições macro desafiadoras.

“Dito isso, os parceiros estratégicos podem querer pagar menos pelo ativo, o que é um risco a ser monitorado à frente”, comenta BBA, em relatório.

O Itaú BBA acredita que o mercado está avaliando a Aesop em torno de R$ 8 bilhões, mas pode haver risco positivo ou negativo para esse número. No entanto, analistas enxergam uma importante oportunidade de desalavancagem para a Natura, mesmo que o negócio esteja em linha com esse valor (implicando 10x EV/Ebitda 2023).

“Se a venda se confirmar, significa que a Natura está planejando uma rota alternativa para destravar valor da Aesop”, diz o Citi.

A Natura&Co disse no comunicado que uma decisão final será tomada por seu conselho de administração após a avaliação final de várias alternativas em estudo, não descartando uma potencial oferta pública inicial de ações (IPO) ou cisão da unidade. A empresa anunciou pela primeira vez em outubro que havia começado a estudar uma possível cisão ou IPO da Aesop nos Estados Unidos.

A Aesop é o ativo de crescimento mais rápido/mais lucrativo da empresa (35% de vendas líquidas CAGR 2016-21), por isso deve exigir múltiplos mais altos.

Desbloquear valor por meio da venda de participação minoritária para um parceiro financeiro seria o melhor caminho, na visão do Citi, pois a empresa continuaria consolidando o negócio e até abriria as portas para um eventual IPO em melhores condições de mercado.

Com base na avaliação dos players de cosméticos global + presença geográfica premium da Aesop, Citi estima que o ativo poderia ser negociado a 10-20 vezes o múltiplo de valor da empresa + dívida sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EV/Ebitda), contra os atuais 5,9 vezes 2023 da Natura.

Por fim, BBA mantém classificação outperform (equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 17, o que representa um potencial de valorização de 47,3% em relação ao preço de fechamento de terça-feira (29) de R$ 11,51. Já o Citi tem recomendação neutra para o ativo, ainda que com preço-alvo de R$ 20, ou um upside de 74%.

Fonte: Infomoney