A venda direta de produtos, segundo Adriana Colloca, presidente executiva da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), abrange 4 milhões de pessoas e atrai as mulheres por permitir a flexibilidade de horários de trabalho e até mesmo a superação de dificuldades relacionadas a uma competição desigual com os homens. A média de idade é de 32 anos e uma parcela de quase 26% dos trabalhadores chegou ao setor por perda de emprego.

Co-fundadora da Aliança Empreendedora, Lina Maria Kempf explicou que muitas vezes as mulheres que trabalham com vendas diretas não buscam capacitação nem formam redes de contatos, por não se considerarem empreendedoras. “Muitos acreditam que empreender é uma jornada solitária, mas entendam que tem outros empreendedores até na própria rua onde moram, pessoas com as quais é possível trocar, conversar, participar de feiras e eventos. Tudo vem da autopercepção. Quando eu me entendo empreendedor, esse ecossistema passa a fazer sentido para mim”, avalia.

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP), que revelou já ter sido vendedora de produtos Mary Kay, disse que o empreendedorismo feminino transforma a realidade das famílias. “Principalmente quando a gente pensa que o aumento da renda familiar permite que a família invista mais em educação, em lazer, em cultura. É todo um núcleo familiar que a gente melhora porque a relação da qualidade de vida e a autossuficiência financeira é direta”, afirmou.

Coordenadora nacional de Empreendedorismo Feminino do Sebrae, Renata Malheiros destacou que as mulheres precisam superar tanto barreiras técnicas para empreender, como também socioemocionais. “Quando a mulher precisa falar em público, quando está em um almoço de negócios… Muita gente já fala: será que é almoço de negócios mesmo? Quando a mulher precisa viajar a trabalho, mas está com filho doente em casa… ‘Que mulher que eu sou? Que mãe que eu sou? Sou uma péssima mãe’. Então a culpa materna, todas essas questões culturais acabam afligindo as mulheres. Não é culpa das mulheres, é da sociedade; mas a gente acaba sendo afetada”, enumerou.

Segundo Renata, as mulheres empreendedoras geralmente têm 16% mais escolaridade que os homens, mas faturam 22% menos.