DCI – Comércio – 25/02/2015

São Paulo – Por atrair revendedores interessados em independência financeira, o segmento de vendas diretas deve continuar a crescer neste ano, apesar da economia oscilante. Entretanto, para deslanchar, o setor precisa ampliar suas linhas de operação. Assim deixará a dependência que mantém hoje em cosméticos e beleza.

Enquanto no Brasil 90% do volume de negócios estão concentrados em produtos de beleza, com gigantes como Avon, Natura e Mary Kay, nos Estados Unidos produtos do setor e da área de nutrição representam só 30% das vendas. Os utensílios domésticos envolvem 20% do mercado e outras áreas, como a venda de seguros somam 23%, afirmou a diretora executiva da Associação Brasileira de Empresas de Venda Direta (Abevd), Roberta Kuruzu.

Ainda na comparação com o mercado norte-americano, que teve um volume de negócios de U$ 32,6 bilhões, o Brasil movimentou R$ 41,6 bilhões, segundo o último balanço divulgado pela entidade, em 2013. Os dados reforçam como o mercado nacional tem potencial a ser explorado por mais setores.

Crescimento

Segundo a Abevd, outro dado que sinaliza a capacidade de crescimento do setor é o número de consultores envolvidos com a venda direta. Enquanto nos EUA são cerca de 16,8 milhões, no Brasil temos apenas 4,5 milhões de pessoas.

Para a diretora executiva da entidade, este ano haverá excelente oportunidade de crescimento para o segmento, que possui várias vantagens. A primeira delas é que o setor de venda direta funciona muitas vezes como complemento na renda, ou seja, com um cenário de desaceleração financeira as pessoas tendem a buscar uma fonte de renda extra, que ofereça facilidade na operação de negócio e maior flexibilidade de horários para trabalhar.

Inovação

Outra tendência das empresas é investir em novas formas de operação. Para driblar a concorrência, a Herbalife, empresa que atua no segmento de produtos de nutrição, diz ter ampliado o seu nicho de atuação. “Parte da reinvenção na operação foi ampliar o posicionamento. Migramos de um gerenciamento de peso para investir no setor de nutrição mais completo, como a nutrição esportiva. Passamos também a incentivar a prática de esportes entre o público”, disse o diretor sênior de vendas e comunicação com consultor independente da Herbalife, Jordan Rizetto.

Quem também visa ampliar as categorias é a empresa Sophie e Juliete, que atua com acessórios de moda e disponibiliza uma página on-line para cada uma das consultoras. “A venda direta possibilita uma inserção de novos profissionais no mercado. É a forma mais democrática de empreender”, disse a CEO da Sophie Juliete, Camila Souza.

Investimento

Também importante para o crescimento do ramo é o investimento inicial, que na maioria dos casos é baixo e, assim, facilita a entrada de profissionais. O valor inicial para um consultor começar a trabalhar com a Herbalife, por exemplo, é cerca R$ 120. Com a Sophie Juliete é R$ 199.

Favorável para as vendas assertivas na área está a questão do treinamento do consultor. A Herbalife, por exemplo, oferece algumas opções de capacitação com relação aos produtos. “Um dos meios de formação é a plataforma on-line de vendas, nutrição, liderança e de gerenciamento de negócios”, afirmou Rizetto.