O gerente geral da Omnilife conta sua trajetória e o que te motiva a estar no setor há quase três décadas

Há sete anos na gerência da Omnilife e passando pelos países Peru, Chile, Bolívia, Argentina, Paraguai e Uruguai, Ivon Neves é gerente geral no Brasil dessa empresa que trabalha com suplementos nutritivos e acessórios esportivos.

Bacharel em administração pela Fundação Instituto de Administração, MBA em Estratégia Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, Ivon destaca que a maior motivação de trabalhar na Venda Direta é a transformação que ela traz, profissional e pessoal, aos empreendedores independentes.

Ivon conta que iniciou sua atuação profissional em um polo petroquímico, mas se encontrou na Venda Direta, e está com quase 30 anos de experiência na área.

Para falar sobre sua trajetória no setor, ele concedeu uma entrevista para a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD). Acompanhe.

ABEVD – Como foi seu início na Venda Direta?

Ivon Neves – Muito interessante olhar para trás, em 1995, e ver tudo que mudou de lá para cá. Eu saí de uma indústria petroquímica para uma indústria de cosméticos de vendas diretas, ou seja, não tinha nada a ver, né?! Foi muito bacana esse início, porque deu para entender exatamente a dinâmica, porque eu não conhecia na época. Eu escutava a respeito de empresas onde pessoas que revendiam produtos, mas até então eu não entendia que aquilo se chamava Venda Direta.

ABEVD – E o que mais te atrai nesse mercado?

Ivon Neves – A principal motivação, na minha cabeça, certamente, é o que a gente gera de transformação para os nossos empreendedores independentes. Ver pessoas que estavam desempregadas ou que não tinham uma formação completa, academicamente falando, se desenvolvendo como empreendedor é gratificante. A Venda Direta tem esse cunho social muito intenso, eu a enxergo como muito inclusiva.

ABEVD – Qual seu conselho para as pessoas que estão pensando em entrar nas vendas diretas?

Ivon Neves – A grande dica é: saiba o que você quer, esse é o ponto, porque daí o plano é uma consequência. A pessoa quer entrar nesse negócio para consumir os produtos e serviços? Então, ela tem que ter essa clareza para saber como comprar com desconto ou poder usufruir dos serviços sendo um empreendedor independente. Se essa pessoa tem a necessidade de um complemento de renda ao trabalho que ela tem, é preciso saber quanto mais quer ganhar. Se a pessoa quer se dedicar exclusivamente a esse negócio, precisa entender o momento de fazer essa transição. Essas pessoas podem buscar, junto às empresas, tirar dúvidas e receber uma guia do que fazer, mas, principalmente, dos próprios empreendedores independentes das nossas empresas. Eles são as pessoas que estão no dia a dia e podem estar contribuindo para quem está chegando agora.

ABEVD – E para a Omnlife, qual a importância dos empreendedores independentes?

Ivon Neves – Não existe Omnlife e, para mim, não existe Venda Direta sem o empreendedor independente. Ele é a grande expressão das marcas que ele representa. De nada adianta ter o produto sem ter as pessoas que levam os produtos a outras pessoas, seja ao consumidor ou para outros empreendedores. A nossa marca tem o fundo de cor roxa, e eles falam que corre a cor roxa nas veias. Essa brincadeira que fazem mostra o nível de compromisso que essas pessoas têm com o produto, com a empresa, mas, principalmente, com elas próprias. Eu não diria que eles são disseminadores de marca, eles vivem a marca e são a própria marca. Não conseguimos viver um sem o outro. Estar perto deles e servi-los é o grande objetivo que nós temos como empresa.

ABEVD – O que a Omnilife faz para educar e capacitar seus empreendedores?

Ivon Neves – Acreditamos na capacitação frequente. Nós temos uma plataforma fantástica e gratuita chamada Crescendo, que traz o passo a passo para o empreendedor independente desde o primeiro dia, primeira quinzena, até os primeiros 90 dias. Além disso, os eventos corporativos, comuns antes da pandemia, proporcionam bons momentos de capacitação, onde a gente fala sobre produtos, serviços novos e boas práticas. Falamos que trabalhamos com multi desenvolvimento dentro da Omnilife, porque não olhamos o nosso empreendedor somente pelo ângulo financeiro ou social, e sim de uma maneira integral.

ABEVD – Como a pandemia alterou sua forma de trabalho?

Ivon Neves – Eu já estava com hábito de estar no escritório, com uma equipe, trabalhando com eles intensamente, ou viajando pelo Brasil ou para fora, e isso mudou, radicalmente, da noite para o dia. Precisamos estabelecer protocolos quase que de maneira imediata para poder implementar o trabalho remoto a toda nossa equipe. Nesse processo, precisamos levar equipamentos, ajudar as instalações, ensinar como fazer. Redesenhamos o modelo de trabalho, com esquema de fazer o pedido a distância e passar somente para retirar nos 14 centros de retiradas espalhados no Brasil. Quase 70% das nossas vendas hoje são feitas online. Para os empreendedores, houve aquele susto no primeiro momento, mas depois de dois meses vimos um crescimento forte dos nossos próprios empreendedores. Eles mantiveram o negócio ativo se reinventando, usando chamadas de vídeo, telefônicas, redes sociais e e-mails. Eles não pararam o negócio, e é muito gratificante ver acontecer. É um aprendizado generalizado, e que veio num momento muito diferente, mas que forçou a gente até repensar algumas coisas, que talvez, no passado, fossem paradigmas.

ABEVD – Como você avalia o desemprenho da Omnilife no momento de pandemia? E os planos para pós-pandemia?

Ivon Neves – Eu tenho um orgulho muito grande de dizer que, em 2020, nós batemos recordes de vendas, obtendo um faturamento histórico na empresa durante a pandemia. Vemos que o modelo de Venda Direta está a cada dia mais forte e maduro. Em 2021, também estamos crescendo em relação a 2020 e queremos seguir assim. O mais importante, onde a gente tem focado e direcionado mais energia, é o que mais a gente pode fazer pelos nossos empreendedores independentes. Tipos de serviços, motores de pagamento, formas de entrega, como podemos ajudá-los ainda mais daqui para frente

ABEVD – A economia brasileira, durante a pandemia, caiu e a Venda Direta cresceu. Você acredita que adicionar a Venda Direta nos canais de vendas de empresas que não tinham ainda se aventurado por meio, é um caminho para elas se manterem no mercado?

Ivon Neves – Sem dúvida. Todas as empresas estão colocando multi canais como a espinha dorsal do seu modelo de negócios, então sim, eu vejo grandes empresas, inclusive, entrando para a venda direta, talvez no primeiro momento de uma maneira mais tímida. Acredito que isso vai acontecer para todos os negócios no mundo. O multi canal já não é mais aquela novidade, é questão de sobrevivência.

ABEVD – E na sua carreira, quais foram os maiores desafios?

Ivon Neves – Eu não diria que ele foi, ainda é o maior desafio conciliar a vida pessoal com a profissional. No início de carreira, eu era solteiro, mas depois eu me casei e tive três filhas, me mudei bastante de cidade e também de país. Meu desejo é manter um equilíbrio, porque somos um ser único e integral. Não tem o profissional, não tem o pessoal, tudo faz parte de indivíduo só.

ABEVD – Qual a maior contribuição que você pretende deixar como gerente geral da Omnilife?

Ivon Neves – O maior legado que pretendo deixar é uma maior quantidade de empreendedores independentes trabalhando com a Omni, com a paixão que os atuais têm. Mais que apaixonados, eles são muito engajados com a marca e com o propósito dela.

ABEVD – Nos seus momentos livres, o que gosta de fazer?

Ivon Neves – Tem sido poucos, viu (risos). Mas eu adoro cinema, adoro arte de uma maneira geral, esportes, viajar, tanto que um dos maiores efeitos colaterais da pandemia tenha sido não poder ir para cinema, teatro e fazer viagens. Eu amo estar com a minha família. Recentemente mudamos de casa e temos curtido muito a nossa casa. Eu gosto de estar com minhas filhas e escutá-las. Sempre que posso escapar, gosto de ir com a minha família para o campo ou para a praia.