A Natura&Co, dona das marcas Natura, Avon, The Body Shop e Aesop, tem treinado as suas consultoras e representantes de vendas para atuar com mais força nas redes sociais e tem em mãos a possibilidade de transformá-las em um “exército de microinfluenciadoras”, segundo a XP Investimentos, que começou a cobrir a empresa, em relatório das analistas Danniela Eiger e Marcella Ungaretti, obtido em primeira mão pelo NeoFeed.

Na avaliação da XP, o trabalho da Natura&Co é um reforço à estratégia da venda direta – a tradicional interação presencial entre as vendedoras e as consumidoras. Nas redes sociais, o que tem ganhado força é o social commerce, nome que se dá a uma compra que é efetuada após o cliente ser impactado por alguma comunicação da marca, de vendedores ou de influenciadores.

“O social commerce é uma espécie de interpretação digital da venda direta, em nossa visão”, diz Daniella, ao NeoFeed. “E a venda direta segura bem em tempos de crise, pois se torna uma possibilidade de trabalho para autônomos, como os motoristas de Uber. Além disso, os produtos da Natura são direcionados a um público de classe alta.”

As duas analistas, no relatório, ressaltam que a principal estratégia ‘omnichannel’ da Natura&Co baseia-se em equipar suas consultoras “com um conjunto de ferramentas e soluções para permitir que suas vendas ocorram quando e onde o consumidor quiser”.

A Natura&Co, por exemplo, ​​tem oferecido uma biblioteca de imagens e vídeos desenvolvidos pela companhia que podem ser customizados e compartilhados para os consumidores por meio de Facebook, Instagram e WhatsApp.

Para as analistas, as consultoras e representantes podem ser “fundamentais para alavancar os recursos de social commerce da companhia, pois as vemos em fase transição para microinfluenciadoras omni.”

A XP ressaltou ainda que a Natura&Co tem uma forte presença nas redes sociais. A companhia tem 3,3 milhões de seguidores no Instagram, 15,2 milhões de curtidas no Facebook, 900 mil inscritos no YouTube e 336 mil seguidores no TikTok.

“Embora haja espaço para melhorar, principalmente nos seguidores do Instagram e assinantes do YouTube, em relação a O Boticário (que tem 8,8 milhões de seguidores no Instagram e 2,2 milhões de inscritos no YouTube), notamos que a Natura ​​tem uma forte presença em todas as plataformas de mídia social, com destaque para TikTok e Facebook”, escreveram as analistas.

Com essa estratégia, as vendas por canais digitais da Natura&Co devem chegar a representar algo entre 20% e 25% do total até 2023, estima a própria empresa.

Este é um dos pilares que levam a XP a recomendar a compra do papel da companhia, com um preço de R$ 65. Nesta segunda-feira, dia 27 de setembro, a ação fechou o pregão cotada a R$ 46,63, queda de 0,55%.

Outra base de sustentação para a expectativa de valorização da Natura&Co é a integração com a Avon. Adquirida em 2020, em um acordo de US$ 2 bilhões, a Avon tem potencial para crescer mais sob o guarda-chuva da Natura&Co, afirmaram as analistas.

“As sinergias entre as duas estão sempre sendo revisadas para cima, mesmo em anos de pandemia”, diz Danniela. “A Avon será o grande destravamento de valor da Natura.” Juntas, por exemplo, a Natura e a Avon tem 711 produtos de maquiagem, contra 484 para O Boticário, comparam.

Além disso, a Natura&Co é apontada pela XP como uma das empresas mais bem posicionadas em relação aos princípios ESG, em comparação às outras empresas cobertas pela corretora. “Desde 2007, por exemplo, a Natura é carbono neutra”, diz Marcella.

A Natura&Co é avaliada em R$ 64,2 bilhões. No segundo trimestre, teve lucro líquido de R$ 235 milhões, após prejuízo de R$ 392,9 milhões em igual período do ano passado.