Taxa ficou em 0,93% em março, a mais alta para o mês desde 2015. Expansão é resultado do aumento nos preços de combustíveis e gás de botijão

RIO – A inflação acelerou em março e subiu 0,93% em relação ao mês de fevereiro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. A expansão é resultado, principalmente, do aumento nos preços de combustíveis e do gás de botijão.

Em 12 meses, o IPCA registra aumento de 6,10% e, com o resultado, se encontra acima do teto da meta de inflação estabelecida para este ano. A meta de inflação do Banco Central para este ano é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

A alta em 12 meses é a maior para desde dezembro de 2016, quando o indicador chegou a 6,29%.

A inflação de março veio um pouco abaixo das expectativas de mercado. Segundo a Reuters, a projeção dos analistas para a inflação era de 1,03% em março.

Gasolina tem alta de 23,48% em 12 meses
Segundo o IBGE, o grupo de Transportes foi o que teve maior impacto porque neste grupo ficam os combustíveis. Somente a gasolina teve uma alta de 11,26%. Em 12 meses, acumula 23,48%.

Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE, explica que a aplicação de sucessivos reajustes nos preços da gasolina, óleo diesel e gás nas refinarias, entre fevereiro e março, impactou os preços de venda para o consumidor final nas bombas.

— Houve um ganho de peso do grupo Transporte nos últimos dois meses. Ano passado, foi o grupo Alimentação, mas agora voltou a ganhar peso o grupo de transportes por conta do preço da gasolina — destaca Kislanov.

Ele lembra, no entanto, que a Petrobras anunciou duas reduções no preço da gasolina e uma no diesel, no mês passado. Nesta sexta-feira, a estatal reduziu novamente o preço do diesel nas refinarias. Só que os repasses dos preços aos postos dependem também de fatores como impostos, estoques, margens de lucro de distribuição e revenda e mistura de biocombustíveis.

— É possível que venha a ser provocada uma queda, mas é preciso avaliar o cenário mês a mês — pondera Pedro Kislanov.

O estado do Rio, em particular, teve outros aumentos que impactaram a inflação no mês. O preço das passagens de trem subiu 6,38%, resultando em uma alta de 3,57% no custo dos transportes.

Outras pressões vieram dos reajustes das tarifas de energia da Enel e da Light, e do gás encanado, pressionando o bolso do consumidor.

Preço dos alimentos desacelera
A inflação do grupo Alimentação e bebidas, que teve alta de 14,09% em 2020, vem desacelerando e avançou 0,13% neste mês de março. O preço continua subindo, mas sobe menos a cada mês.

As variações anteriores foram de 1,74% em dezembro, 1,02% em janeiro e 0,27% em fevereiro.

Kislanov explica que os alimentos apresentam uma tendência de desaceleração desde dezembro. Fatores como estabilidade do câmbio e a redução na demanda por conta da suspensão do auxílio emergencial nos primeiros meses do ano contribuem para o resultado.

— Além das questões sazonais, pode ter efeito da ausência do auxílio emergencial e de uma menor demanda por legumes e verduras por conta do lockdown em algumas cidades, que faz com que as pessoas circulem menos e, por consequência, comprem menos alimentos perecíveis — avalia.

Perspectivas e meta de inflação
Com o IPCA avançando, aumenta a pressão sobre o Banco Central para subir a Selic, taxa de juros básica da economia. A perspectiva é de avanço de 0,75 ponto percentual da Selic na próxima reunião prevista para maio do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Analistas avaliam que as pressões de custo no atacado não dão sinais de alívio em razão do aumento dos preços de matérias-primas – como aço, soja e petróleo – e da alta da taxa de câmbio, o que resulta em aumento nos preços ao consumidor.

O Índice de Commodities Brasil (IC-Br), que mede a variação dos preços de produtos primários com cotação internacional, teve alta de 5,32% em março e registra alta de 66% em 12 meses.

Fonte: O Globo