Para manter a floresta em pé é preciso diálogo e ação conjunta. Por isso, durante o mês de setembro – Mês da Amazônia –, a Natura promoveu encontros virtuais com painéis que levaram dados, informações e caminhos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Tudo isso a partir da consciência de que é possível transformar desafios socioambientais em oportunidades de negócios.

O QUE FAREMOS DAQUI PARA A FRENTE

“Decisões pelo Planeta” foi o tema do painel mediado pela diretora editorial da plataforma Um Só Planeta, Sandra Boccia, que iniciou os diálogos ressaltando a importância de se criar uma lógica econômica que esteja a serviço das demandas contemporâneas e em linha com o capitalismo regenerativo.

João Paulo Ferreira, CEO do grupo Natura &Co para a América Latina e presidente da Natura, falou sobre a constatação mundial de que a conciliação de progresso econômico com desenvolvimento social e proteção ambiental não é somente uma obrigação moral, mas um imperativo econômico.

Nesse cenário, o executivo reforçou que as Empresas B – movimento global criado em 2006 nos Estados Unidos com o objetivo de redefinir sucesso na economia para que seja considerado não apenas o êxito financeiro – representam um avanço na consciência, pois apoiam o desenvolvimento das melhores práticas.

“Movimentos assim indicam caminhos e valorizam as empresas que já estão trabalhando para a conciliação econômica, social e ambiental. Todo mundo aprende junto. A partir daí, acredito que o próximo passo virá da valorização de externalidades no balanço das empresas”, destacou.

Maria Laura Tinelli, fundadora da Acrux Partners, lembrou que companhias, bancos e o setor financeiro têm se alinhado cada vez mais com o discurso da sustentabilidade, mas ainda preocupa a baixa velocidade com que esses acordos chegam à prática. “Por um lado, temos compromissos verbais sobre a importância da sustentabilidade nos modelos de negócios, mas, ao mesmo tempo, não acontece um avanço genuíno e demonstrado em relatórios publicados anualmente.”

Guilherme Leal, cofundador da Natura e integrante dos movimentos Coalizão Brasil e Concertação pela Amazônia, reforçou a importância de aumentar a atuação em rede e indicou a necessidade de inserir as vozes das comunidades tradicionais nos debates.

“Precisamos trazer todos à mesa para desenhar soluções e caminhar na construção de um futuro diferente. As redes são a base dessa transformação.”

A discussão ganhou ainda mais destaque com Adevaldo Dias, presidente do Memorial Chico Mendes. O líder socioambiental lembrou que a bioeconomia não pode ser dissociada da cooperação com as comunidades tradicionais e do respeito a elas. “Tive a oportunidade de acompanhar, aqui na Amazônia, a primeira iniciativa para fornecimento de insumos. O que fazemos juntos neste território hoje é um exemplo de atuação”, exemplificou.

“A relação com as empresas é superimportante, mas principalmente com aquelas que se preocupam também com a qualidade de vida das pessoas que estão fazendo a economia rodar”, concluiu.

Em debate do painel “Amazônia Viva”, Salo Coslovsky, professor associado na New York University e integrante do projeto Amazônia 2030, expôs dados de estudo que ilustra uma série de produtos compatíveis com a floresta que tem grande potencial de geração de riqueza – sem derrubar nenhuma árvore. “Há um mercado de quase US$ 180 bilhões no mundo, mas o Brasil captura apenas 0,2% dele.”

Salo ainda ressaltou que a participação do país no mercado global de exportação é de 1,3%. “Se os produtos [brasileiros] compatíveis com a floresta tivessem esse mesmo market share [do mercado global de exportação], a receita seria de US$ 2 bilhões. Então, estamos deixando isso na mesa ao não prestar atenção nessa possibilidade.”

O tema do desmatamento ilegal foi abordado na fala do engenheiro florestal e coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo. “Pelo menos 95% [do desmatamento atualmente] tem indícios de ilegalidade”, contou. “Por essa razão, um elemento muito importante é definir o uso dessas áreas a partir de lógicas sustentáveis.”

Ao longo da apresentação, a diretora de sustentabilidade da Natura &Co para a América Latina, Denise Hills, levou uma boa notícia para a discussão: o lançamento da plataforma PlenaMata, parceria entre Natura, MapBiomas, InfoAmazonia e Hacklab.

A ferramenta permite o monitoramento do desmatamento em tempo real e traz conteúdo informativo. O objetivo da iniciativa é chamar a atenção para o tema e mobilizar a sociedade para a conservação e regeneração da floresta.

Na esteira da valorização de modelos de negócios sustentáveis, o debate passou pelo protagonismo de comunidades extrativistas cujas lideranças são encabeçadas por mulheres, segundo frisou a representante da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas das Ilha das Cinzas (Ataic), Joaquina Barbosa Malheiros. “Muitas vezes, o trabalho da mulher é invisibilizado, mas temos a possibilidade de mostrar a importância delas tanto na renda familiar quanto na cadeia produtiva, aliando o trabalho agroextrativista com o acesso ao conhecimento. Assim, valorizamos as pessoas.”

ESCUDO PROTETOR

Reunindo pessoas que defendem a vida na Amazônia, o painel “Guardiões da Floresta” contou com a participação da cantora Liège; do influenciador José Neto, indígena kaeté; do ecologista peruano Gian Piero Mubarak; e do ilustrador João Queiroz, criador do  Amazofuturismo, que usa a arte para mostrar que é possível ter uma Amazônia que reúna ciência, arte, cultura, tradições e tecnologias.

Uma das novidades foi a parceria com a Secretaria de Cultura do Estado do Pará para canalizar um investimento de R$ 3,3 milhões para a economia criativa da região.

Representando a Natura, a vice-presidente de marca, inovação, internacionalização e sustentabilidade, Andrea Alvares, reforçou a atuação pioneira da companhia na Amazônia. Afinal, são mais de 20 anos.

“Desenvolvemos cadeias de sociobiodiversidade, parcerias com mais de 8 mil famílias, 40 bioativos, quase 28 mil pessoas conectadas a essa rede, com investimentos expressivos na região.” Na última década, a empresa ajudou a preservar 2 milhões de hectares de floresta.

O debate passou ainda pela discussão sobre o mercado de carbono – a Natura é neutra desde 2007, com ambição de chegar ao carbono zero até 2030.

A modelo Gisele Bündchen, embaixadora da causa Amazônia Viva e de Natura Ekos, marcou presença deixando um importante recado: “Juntos, podemos construir um futuro diferente com as nossas escolhas de hoje”.