Os dados da vacinação divulgados até quinta-feira (27) indicam que 148.856.782 brasileiros (equivalente a 69,29%) estão totalmente imunizados contra a COVID-19. Além disso, 163.707.234 pessoas tomaram ao menos a primeira dose da vacina, representando 76,2% da população. Ademais, a dose de reforço foi aplicada em 44.796.544 pessoas (21% da população), sendo a aplicação de maior avanço, comparativamente. Por outro lado, foram registrados 224.567 novos casos conhecidos, alcançando 24.535.884 contaminados confirmados desde o início da pandemia. Com o aumento do número de casos o país também registrou 570 mortes pela COVID-19 nas últimas 24 horas, totalizando 624.413 óbitos pela doença. Com isso, a média móvel nos últimos 7 dias é de 369 mortes.

AVALIAÇÃO BMJ

Os índices de casos e mortes nas primeiras quatro semanas de 2022 aumentaram sensivelmente se comparadas com as últimas quatro semanas de 2021. Nessa semana, o Brasil atingiu a maior média móvel de óbitos dos últimos três meses. Essa realidade se reflete na ocupação de leitos, com mais de 80% de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em dez capitais brasileiras. Com esse cenário, o Brasil segue a tendência global: nessa semana, o mundo atingiu a maior média diária de óbitos por COVID-19 dos últimos quatro meses.

CORONAVAC É INCLUÍDA NA VACINAÇÃO DE 6 A 17 ANOS

O Ministério da Saúde incluiu, na última sexta-feira (21), a Coronavac na campanha de vacinação contra a COVID-19 para a faixa etária de 6 a 17 anos. O ministério segue a mesma orientação anunciada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de que a vacina não seja aplicada em imunocomprometidos com um intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda aplicação. Entretanto, a recomendação do ministério é que a imunização ocorra com a autorização dos pais ou responsáveis e que um médico seja consultado previamente. A recomendação médica foi recebida com críticas por especialistas. Segundo a epidemiologista e ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues, a recomendação de um aval médico antes de levar o filho para a imunização não se justifica. Além disso, ressalta que só devem ter avaliação médica crianças que estão passando por algum tratamento médico ou têm alguma doença que exija tal avaliação.

AVALIAÇÃO BMJ

O aval médico para a imunização já havia sido defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, após a Anvisa autorizar o uso do imunizante da Pfizer, em 16 de dezembro. Entretanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e vários secretários de saúde estaduais rejeitam a necessidade de prescrição médica para a aplicação dos imunizantes infantis. Marcelo Queiroga afirma que se trata de uma recomendação e não de uma imposição. Vale ressaltar que em consulta pública criada pelo ministério sobre o tema, entre dezembro/2021 e janeiro/2022, foi notada grande rejeição à exigência do aval médico.

ALTERAÇÃO DE PORTARIAS SOBRE TRANSMISSÃO DE COVID-19 EM AMBIENTES DE TRABALHO

O governo alterou medidas para prevenção, controle e mitigação dos riscos de transmissão de COVID-19 em ambientes de trabalho, ainda que tenham sido mantidas as recomendações de higiene e distanciamento social aprovadas em 2020. As principais alterações estão relacionadas à redução do tempo de isolamento social, recentemente alterado pelo Ministério da Saúde (MS). Além disso, as organizações devem fornecer máscaras PFF2 (N95), ou equivalentes, para os trabalhadores do grupo de risco quando não for adotado o teletrabalho ou trabalho remoto. As organizações também devem indicar as medidas de prevenção, controle e mitigação nos ambientes de trabalho e nas áreas comuns, como refeitórios, banheiros, vestiários, áreas de descanso e no transporte, quando fornecido pela empresa.

AVALIAÇÃO BMJ

Em um contexto de mudanças nas condições da pandemia de COVID-19, a alteração das portarias partiu do movimento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e de diversas associações com o intuito de reformular as práticas de proteção, prevenção e riscos relacionadas ao trabalho, para que estas fossem melhor adequados às novas recomendações do MS. No dia 10 de janeiro, a pasta reduziu para sete dias o isolamento de casos leves e moderados da COVID-19, desde que o indivíduo não apresente sintomas respiratórios e febre há pelo menos 24 horas, sem o uso de antitérmicos. Na ocasião, o Secretário de Vigilância em Saúde (SVS), Arnaldo Medeiros, informou que a decisão decorreu da atualização do guia epidemiológico, elaborado por especialistas. Outras alterações similares devem acontecer à medida que ocorra o arrefecimento da pandemia.

QUARTA ONDA DE CASOS SEGUE BATENDO RECORDES NOS ESTADOS

O número de casos de COVID-19 no país segue batendo recordes diários em todas as unidades da federação. Em São Paulo, a taxa de contágio é de 1,79 e poderá chegar a 1,86 até o fim do mês de janeiro. Além disso a ocupação dos leitos de UTI alcançou 67,4% no estado e 72,3% na região metropolitana da capital, um aumento de 194% no período. No Rio de Janeiro, a taxa de contágio está em 2,54 e só nas primeiras semanas do ano já se acumulou metade do volume de infecções confirmadas em todo o ano de 2021 na capital. Em Minas Gerais, os últimos dias do mês têm registrado cerca de 30 mil casos por dia. Cerca de seis estados têm a ocupação de leitos de UTI em estado crítico, sendo eles Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Distrito Federal, com taxa de pelo menos 80%.

AVALIAÇÃO BMJ

O aumento de casos em decorrência da nova variante mais transmissível da COVID-19, Ômicron, tem retomado debates sobre reestabelecimento de medidas de restrição nos estados. As discussões ainda são incipientes, devido aos números de óbitos controlados – porém em ascensão – e a reabertura de leitos, que podem reduzir o impacto das novas internações nas próximas semanas. Especialistas argumentam que a taxa de transmissão não é suficiente para retomar medidas drásticas como lockdowns, sendo necessário analisar outros fatores como ocupação dos leitos, profissionais de saúde e outros recursos médicos. Porém, a curva crescente em alguns desses indicadores podem reforçar iniciativas como a vacinação infantil e a adoção do passaporte sanitário em circunstâncias de aglomeração, como em grandes eventos.

PROFISSIONAIS COM SINTOMAS GRIPAIS E DESAFIOS DO SETOR INDUSTRIAL DO ESPÍRITO SANTO

A 4ª onda da COVID-19, somada ao surto de influenza, trouxe impactos ao setor industrial do Espírito Santo. Segundo estudo da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), 81% das empresas do setor industrial registraram funcionários com sintomas gripais. Das 152 indústrias do estado, 57% declararam que menos de 10% dos funcionários foram afastados, já 5% de outras empresas informaram um índice de mais de 40% de afastamento durante o mês de janeiro. Outro problema enfrentado envolve a falta de recursos, queda de produção e atraso na entrega de produtos. De acordo com o mesmo estudo, 45% das empresas enfrentaram falta de recursos e 40% a diminuição na produção.

AVALIAÇÃO BMJ

Apesar de cenário semelhante ao começo da pandemia, relativo à instabilidade na produção e disponibilidade de recursos, alguns aspectos se diferenciam daquele momento, entre eles, o aumento na vacinação e adaptação às medidas sanitárias por parte das empresas. Ocorre que ainda existem alguns desafios a serem superados pelo setor produtivo como, por exemplo, o fato de parte da cadeia produtiva necessitar de mão de obra presencial para exercer as atividades, diferentes graus de medidas sanitárias entre estados e países e, por fim, a readaptação de recursos ao consumo. Apesar das dificuldades, entretanto, a expectativa é de um aumento produtivo para 2022 e, consequentemente, uma recuperação da indústria.