Conforme os dados da vacinação divulgados até quarta-feira (23), 171.814.461 pessoas já receberam ao menos uma dose da vacina, representando 85,84% da população acima de 5 anos que está apta à vacinação. Destes, 154.202.898 (cerca de 77,04% da população vacinável) estão totalmente imunizados contra a COVID-19. A dose de reforço foi aplicada em 61.962.233 pessoas (28,84% dos brasileiros). Ainda, vale mencionar que 8.016.997 crianças entre 5 e 11 anos tomaram a primeira dose (39,11% deste grupo). Por outro lado, nas últimas 24 horas, foram registrados 133.563 novos casos conhecidos, fazendo o Brasil alcançar a marca de 28.484.890 contaminados pelo Sars-CoV-2 desde o início da pandemia. O país também registrou 999 mortes pela COVID-19 nas últimas 24 horas, totalizando 646.419 óbitos pela doença. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias é de 803 mortes, variação de -8% em relação a 2 semanas, indicando tendência de estabilidade nos óbitos.

AVALIAÇÃO BMJ

Além desse panorama, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse na terça-feira (22) que pretende “acabar com o caráter pandêmico” da COVID-19. Segundo Queiroga, o governo avalia o cenário epidemiológico e o impacto da mudança de status da doença no Brasil, por exemplo, sobre vacinas e medicamentos que têm apenas autorização de uso emergencial. As vacinas Coronavac e Janssen, além de alguns medicamentos, perderiam aval de utilização quando o Ministério da Saúde declarar que “não se configura mais situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional”, segundo a regra atual da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No entanto, em boletim sobre a pandemia divulgado no último dia 9, o Observatório Covid-19 Fiocruz afirmou que a transição de pandemia para endemia não significa a eliminação do vírus. De forma geral, a doença se tornaria uma endemia quando não houvesse aumento inesperado de casos. De acordo com o Observatório, a classificação de “endemia” somente poderá ser pensada após a drástica redução da transmissão pelas novas variantes e por meio de uma campanha mundial de vacinação.

ANVISA REGISTRA AUTOTESTES DE COVID

NO PAÍS A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu autorização para a utilização do segundo autoteste de Covid-19 no Brasil na quarta-feira (23). O produto será fabricado pela empresa Eco Diagnostica Ltda no Brasil e se soma ao teste da empresa CPMH, autorizado para uso ainda em fevereiro de 2022.

AVALIAÇÃO BMJ

A aprovação do uso de tais produtos só foi possível após a Anvisa regulamentar a utilização de autotestes no país, o que ocorreu em janeiro de 2022. Com isso, a expectativa é que o Sistema Único de Saúde (SUS) seja desafogado e mais pessoas tenham acesso aos testes, contribuindo assim não somente para o controle da pandemia no país, mas também para que as autoridades sanitárias tenham acesso a dados mais confiáveis sobre o número de infectados no país. A expectativa é que a Anvisa siga priorizando a autorização para o uso desses testes no país, assim como outros produtos que possam ser considerados essenciais para o controle da pandemia.

GOVERNO DESTACA PRODUÇÃO TOTALMENTE NACIONAL DE VACINA DA FIOCRUZ

A semana foi marcada pelo enaltecimento da vacinação por parte do Ministério da Saúde. Neste caso específico, as atenções do governo se concentraram na produção nacional da vacina produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade de Oxford, que já estava sendo utilizada e produzida em partes no país desde o início da campanha vacinal contra COVID-19. Também nesta semana o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, destacou que “estamos caminhando para o fim da pandemia […] com períodos sazonais epidêmicos, como já acontece com a gripe”.

AVALIAÇÃO BMJ

O aumento da vacinação afeta diretamente um dos principais marcadores para se entender a redução ou aumento de uma pandemia: a letalidade. Com mais pessoas vacinadas, a quantidade de casos graves e de mutações mais potentes se reduz, o que tem trazido otimismo para o cenário nacional e internacional. Cabe destacar também que a grande necessidade de vacinas fez com que institutos como o Butantã e a Fiocruz, além do Complexo Industrial de Saúde como um todo, se ajustassem para absorver as novas tecnologias, e também aumentar a autonomia em relação a insumos internacionais, fortalecendo o parque industrial nacional.

ANVISA APROVA PRIMEIRO MEDICAMENTO PROFILÁTICO CONTRA COVID19

Na quinta-feira (24), durante a sua 5ª Reunião Extraordinária Pública da Diretoria Colegiada (Dicol), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em decisão unanime a solicitação de autorização temporária do uso emergencial do medicamento Evusheld (cilgavimabe + tixagevimabe) da AstraZeneca do Brasil. A medicação monoclonal vai ser utilizada em caráter experimental para tratamento da COVID-19. Com isso, o remédio é o primeiro medicamento com indicação profilática autorizado no Brasil. O Evusheld não está autorizado para o tratamento da COVID-19 ou para a profilaxia pós-exposição em indivíduos que tenham sido expostos a sujeitos infectados com SARS-CoV-2. Vale destacar que a profilaxia com o medicamento antes da exposição ao vírus não substitui a vacina.

AVALIAÇÃO BMJ

De acordo com a relatora do processo, a segunda diretora Meiruze Freitas, foi considerado que a resposta imunológica à vacina tende a ser menor em pessoas imunocomprometidas e que há pessoas que têm contraindicação para vacina contra a COVID-19. Nesse sentido, a aprovação de um medicamento profilático contra o vírus indica um avanço importante das tecnologias disponíveis. Conforme a vacinação avança e a pandemia é controlada, a atuação das autoridades sanitárias na pandemia passar a ser mais focada em grupos vulneráveis. Assim, um tratamento pré-exposição destinado a esse grupo é uma sinalização promissora para o controle da doença.