Empresa faturou R$ 1,4 bilhão em 2021 e pretende reduzir tamanho de lojas e trazer experiências de varejo para aumentar receita dos franqueados

Com 34 anos de história no mercado da beleza e cosméticos, o Grupo Hinode passou por uma intensa repaginação nos últimos anos. Após rever processos internos, se reaproximar de franqueados e ajustar questões logísticas, passou a atender pelo nome internacional Hinode Group e estendeu a atuação para países da América Latina. No ano passado, a empresa faturou R$ 1,4 bilhão — e projeta repetir o feito neste ano. Agora, com lojas menores e mais rentáveis. A informação foi adiantada em primeira mão a PEGN.

Hoje, a Hinode tem 354 lojas no Brasil. Quase 10% a menos do que tinha antes da pandemia. O número de revendedores também diminuiu, passando de 850 mil em 2019 para cerca de 600 mil (um recuro de 30%). Segundo a companha, o momento agora é de consolidação, e o primeiro passo é uma revisão das lojas.

As estruturas de cerca de 200 metros quadrados devem dar lugar ao novo modelo de franquia da marca, chamado de Fit, com no máximo 80 metros quadrados. Isso diminuirá a necessidade de investimento inicial de R$ 400 mil para cerca de R$ 300 mil — já inclusos taxa de franquia, suporte, primeiro estoque e capital de giro.

Uma das soluções para ajudar no processo foi identificada na pandemia. As franquias da Hinode comercializam apenas para consultores, responsáveis pela venda direta dos produtos ao consumidor final. Nas unidades, existiam salas de treinamento que podem comportar até 150 pessoas. Como muitas dessas reuniões passaram a ser virtuais, os espaços se tornaram dispensáveis. Além disso, a rede entende que pode ser mais lucrativo para o franqueado alugar salas na região quando for aplicar as capacitações. “Reduz o custo com ocupação, que hoje é um dos mais altos”, diz Eduardo Frayha, CSMO do Hinode Group.

Além da redução de espaço físico, as lojas devem ganhar nova roupagem, inspirada em redes varejistas de perfumaria. Uma operação piloto do novo modelo Shop iniciou as atividades em maio, na Barra Funda, em São Paulo. A loja tem sido testada com gôndolas e experiências de varejo para estimular o consultor a levar mais itens. A operação conseguiu elevar o tíquete médio em 12%, chegando a R$ 233,38. “Antes o produto ficava escondido no estoque e agora está lá, pronto para experimentar. É uma experiência de varejo mesmo”, diz Daniele Nascimento, gerente de franquias do Hinode Group.

O objetivo é testar a operação piloto por mais quatro ou cinco meses, ajustar arestas e então fazer o rollout para as outras franquias. “Primeiro a gente controla essa modalidade, testa a rentabilidade das franquias físicas e aí cascateia”, afirma Frayha. A previsão é que todas já estejam funcionando no novo modelo, que será menor e com cara de varejo, em até cinco anos (prazo médio de vencimento do contrato de franquia). O investimento de cada franqueado para essas alterações é estimado em torno de R$ 100 mil.

Hoje, as lojas próprias que a Hinode opera no Peru, Bolívia, Equador, Colômbia e México já são no modelo Shop. A ideia é crescer internacionalmente já com esse formato. O grupo também trabalha com representações nesses países, conhecidas localmente como “mayoristas”.

O objetivo no momento é ajudar a aumentar a rentabilidade das franquias existentes, mas a empresa não descarta a abertura de novas unidades, especialmente em lugares em que ainda não tenham presença. “Tenho praças em que o consultor precisa se deslocar até 200 km para ir até uma franquia. Pode ter uma oportunidade de expansão ali”, diz o executivo.