* Por Paulo Polesi

Falar sobre Ética em relacionamentos de negócios é simples. Eu costumo dizer que devemos ser éticos em tudo o que fazemos, por mínima que seja nossa ação, sempre demonstrado pelo exemplo. Atualmente, a ética tem sido muito lembrada e apregoada em todos os níveis, tornando-se, assim, palco de discussões e debates, muitas vezes acalorados.

Ser ético, no seu contexto mais que simbólico, é praticar atos e ações onde temos em primeiro patamar o “outro”, pois se agimos dessa forma poderemos vislumbrar se são ações éticas. Todas as ações que adotamos que afetem positivamente o “outro”, são ações boas e éticas.

Gosto muito de citar em meus treinamentos, a definição que Mario Sergio Cortella faz sobre Ética – ele diz que “Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três questões da vida: (1) quero; (2) devo; (3) posso? Nem tudo que quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve.”

Simples, quando nos ensina que para sermos éticos devemos querer coisas que com base nos nossos valores, nas leis, políticas, códigos de ética, podemos e devemos fazer para o bem de outras pessoas.

Também vale distinguir a diferença entre ética e moral. A palavra “ética” vem do grego “ethos” que significa “modo de ser” ou “caráter”. Já a palavra “moral” tem origem no termo latino “morales” que significa “relativo aos costumes”. No sentido prático, a finalidade da ética e da moral é muito semelhante. Ambas são responsáveis por construir as bases que vão guiar as condutas das pessoas, determinando o seu caráter, altruísmo e virtudes, e por ensinar a melhor forma de agir e de se comportar vivendo em uma sociedade.

Vou exemplificar: vamos figurar a situação de quando uma pessoa fura uma fila em um restaurante. O eticamente correto seria respeitar a ordem e aguardar a sua vez na fila. Entretanto, essa ação não é algo que implique punições a uma pessoa, mas moralmente não é algo correto a se fazer. Fazendo um paralelo com a venda direta, em uma situação na qual empreendedores independentes de uma empresa de vendas diretas realizam recrutamento de outros empreendedores de outra empresa, essa não é uma atitude que implicará sanções penais a essa pessoa que a pratica, mas ética e moralmente não é a coisa certa a ser feita.

Já não é mais discutível sobre a necessidade de as corporações possuírem em sua estrutura uma área executiva independente de Compliance & Ética, formada por profissionais capacitados e com formação técnica apropriada. Uma área que garanta não só a aplicação das leis, códigos, processos, controles; que execute auditorias periódicas nas outras áreas de negócios; que possua um canal de denúncias estruturado; uma área de investigação para conduzir as análises e conclusões dos processos; um programa de integridade aplicado interna e externamente junto a fornecedores e órgãos de relacionamento – principalmente públicos; mas prioritariamente, uma área capaz de prover treinamentos sobre ética e compliance junto a todos seus colaboradores e fornecedores, para sua incorporação cultural, no cerne do negócio, assegurando a prevenção da ocorrência de quaisquer ações antiéticas.

Ser ético é dar o exemplo praticando boas ações para os outros, principalmente quando ninguém está olhando. É fazer o que é correto, sempre, porque com essas atitudes estaremos, como pessoas, construindo instituições cada vez mais fortes e sólidas, baseadas na preservação de sua imagem e reputação, na segurança de seus processos, controles, princípios, e transformando o Brasil e suas instituições em algo melhor. Não existe área cinzenta, ou meio termo, quando se fala em ética!

* Paulo Polesi  é administrador, membro do Conselho de Ética da ABEVD e Diretor de Compliance na Herbalife Nutrition