A atividade econômica brasileira voltou a crescer em maio, depois de dois meses de contração recorde como consequência das medidas de contenção contra o coronavírus, indicando que abril foi o pior mês para a economia do país.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 1,31% em maio sobre abril, em dados dessazonalizados informados pelo BC nesta terça-feira.

Em abril, o índice recuou 9,45%, em dado revisado pelo BC ante queda de 9,73% informada antes, em um resultado recorde negativo na série histórica do IBC-Br iniciada em 2003.

Em março, a queda do IBC-br foi de 6,14%.

Na comparação com maio de 2019, o IBC-Br apresentou queda de 14,24% e, no acumulado em 12 meses, teve perdas de 2,08%, segundo números observados.

“O aumento da atividade real em maio deveu-se ao relaxamento gradual dos protocolos de distanciamento social e medidas para restringir a atividade e movimento”, afirmou o economista do Goldman Sachs Alberto Ramos.

“Embora a pandemia ainda precise ser controlada, dados recentes e algumas de nossas métricas sugerem que a atividade atingiu o fundo do poço e chegou a um ponto de inflexão em algum momento em meados de abril”, completou.

A epidemia de coronavírus fechou empresas, lojas e produção e ainda manteve pessoas em isolamento social, levando a perspectivas de contração histórica para a economia brasileira neste ano.

O mês de maio já registrou algum retorno da produção econômica, embora ainda em níveis insuficientes para recuperar as perdas anteriores, conforme as medidas de isolamento social começaram a ser gradualmente flexibilizadas.

No mês, a produção industrial do Brasil aumentou 7%, mas ficou longe de reverter a queda de 26,3% acumulada nos meses de março e abril.

As vendas no varejo registraram aumento recorde em maio de 13,9%, mas também recuperaram apenas parte das perdas dos dois meses anteriores. Por sua vez o setor de serviços continuou registrando perdas.

O Ministério da Economia deve divulgar nesta semana novas estimativas para a economia, mas por enquanto a projeção oficial segue de retração de 4,7% para o PIB este ano, enquanto o BC calcula queda de 6,4%.

Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) passou a ver uma contração de 9,1% para a economia brasileira neste ano.

A pesquisa Focus mais recente do Banco Central mostra que o mercado estima contração de 6,10% para a economia em 2020, com crescimento de 3,5% em 2021.

Fonte: Reuters