De acordo com dados do 1º trimestre de 2022 do IBGE, cerca 12 milhões de brasileiros estão desempregados. Desse total, 6,5 milhões são mulheres.

O mercado de trabalho apresenta um cenário desafiador para a população feminina, especialmente para mulheres negras. Levantamento realizado em 2022 pelo movimento Potências Negras apontou que 89% delas já tiveram alguma dificuldade no mercado de trabalho, como escassez de vagas e preconceito racial, e 63% já se sentiram discriminadas em processos seletivos. Além disso, 65% precisaram de alguma espécie de auxílio durante a pandemia de Covid-19 e 57% são as principais responsáveis pela renda familiar hoje.

Em um cenário de muitas adversidades, o empreendedorismo se torna uma alternativa para a independência financeira de mulheres negras. Segundo o estudo “Empreendedorismo negro no Brasil”, realizado pela PretaHub em parceria com a Plano CDE e o JP Morgan, em 2021, 52% dos empreendedores brasileiros autodeclarados pretos e pardos são mulheres.

A venda por relacionamento, conhecida tradicionalmente como “venda direta”, vem se mostrando uma opção para a população feminina que deseja empreender e ascender profissionalmente, sendo capaz de transformar a realidade de muitas brasileiras. As mulheres são, inclusive, a maioria (57,8%) entre os empreendedores de vendas por relacionamento no país — um setor que segue aquecido, com o Brasil na 6ª posição entre os maiores mercados da categoria no mundo — segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD).

Modelo de negócio é oportunidade para a conquista da independência financeira, principalmente para a população feminina, que vem sendo mais afetada pelo desemprego

Este é o caso de Maria Claudia Pezzoti, 40 anos, que mora em Mauá (SP). Mulher negra e Representante de Beleza Avon, a profissional decidiu empreender para obter uma renda extra e hoje sonha em ter a sua própria loja. Em apenas cinco meses de trabalho, conseguiu chegar o nível 4 Estrelas — um dos mais altos do plano de crescimento da força de vendas da multinacional de cosméticos — e atribui o sucesso ao seu investimento em ferramentas virtuais. “Vendo para vários lugares do país por meio de plataformas de e-commerce, onde coloco à disposição dos clientes os produtos que tenho em pronta-entrega. Também faço divulgações nas redes sociais, como grupos do Facebook, status do Whatsapp e no meu perfil do Instagram, e publico vídeos com demonstrações de produtos em meu canal no YouTube”, conta.

Já a Representante da Beleza Cintia Derbarba, 37 anos, também relatou a importância dos mecanismos digitais para o desenvolvimento do seu negócio, como a revista digital da Avon e as redes sociais. “Crio meus próprios posts com imagens que pesquiso e aplicativos de edição e divulgo vídeos que a marca fornece no TikTok, Instagram, Facebook e em grupos de clientes no Whatsapp. Também fiz vários treinamentos sobre produtos no plataforma de capacitação Avon Desenvolve e vendo para todo o Brasil em plataformas de e-commerce”. Moradora de Gramado (RS), ela também é uma mulher negra que buscou na venda por relacionamento uma nova oportunidade de renda para além da sua atuação como professora de biologia. Hoje, ela considera a atividade como a sua segunda profissão e é o que sustenta sua casa.

Histórias como essas só reforçam as conclusões do estudo Ganhos Mensuráveis, realizado pela Avon em parceria com a Ipsos para compreender os impactos socioeconômicos do seu modelo de negócio nas vidas das suas Representantes da Beleza. Segundo a pesquisa, 45% das entrevistadas já não dependem mais financeiramente de outras pessoas graças à atividade de revenda, enquanto 68% acreditam mais no próprio potencial para atingir seus objetivos. Além disso, os lucros adquiridos auxiliam as profissionais a colocarem comida na mesa de suas famílias (28%), a construir ou comprar uma casa (21%) e a pagar dívidas (36%).