*Por Adriana Colloca, presidente-executiva da ABEVD

A década de 70 popularizou a Venda Direta no mundo e no Brasil como uma atividade caracterizada pela relação do vendedor com o cliente, que ia de porta a porta apresentar produtos e suas utilidades. Mais de 50 anos depois, com a migração das relações para o mundo digital, tudo agora pode ser comercializado por meio da Venda Direta, desde perfumes até materiais de construção e produtos agrícolas e as barreiras geográficas caíram, uma vez que os clientes podem estar em qualquer lugar do mundo. Porém, manter a essência e valorizar as relações humanas é o tema central dos debates nacionais e internacionais que o setor tem tido, pois esse é o seu diferencial.

Numa era onde prevalecem carrinhos de compras online e algoritmos, a atividade consegue fazer do tradicional a grande novidade, ao manter seu fundamento principal na escuta e entendimento de um vendedor com o seu cliente, entendendo as suas necessidades e indicando um produto ou serviço de acordo com seu perfil e necessidades.

No mês passado, tanto no 4º Congresso Nacional de Vendas Diretas, promovido pela ABEVD quanto no Congresso Mundial do setor, realizado pela World Federation Of Direct Selling Associations (WFDSA), reconheceram que essa é a vantagem central da Venda Direta frente aos diferentes modelos de venda.

O que não significa que as coisas não mudaram também neste segmento. A Venda Direta de 2023 é formada por jovens de 18 a 29 anos (49,5%), sendo que a maioria deles (63,5%) dedicados integralmente a essa atividade. Os dados são da mais recente pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) e demonstram que o setor virou a chave e encontrou um equilíbrio entre a inovação do digital com o seu diferencial tradicional.

As marcas sabem que mais do que vender e aumentar lucros, elas são capazes de transformar vidas, levando renda a todos que se dedicam ao empreendedorismo. Os debates entre executivos da Venda Direta sempre são sobre mesmo em um mundo com Inteligência artificial e tanta tecnologia, continuar priorizando pessoas, pois esse é o fator principal que mantém o setor vivo diante das muitas transformações tecnológicas das últimas cinco décadas.

A junção entre empreendedorismo e a utilização estratégica de ferramentas digitais para divulgação de produtos estão impulsionando o setor a patamares mais elevados, com 79,9% dos revendedores utilizando o WhatsApp, e 71,3% as redes sociais para realizar negócios, além do fato de que muitos se transformaram em verdadeiros influenciadores digitais, alavancando mais suas vendas – exemplo disso é o salto de 58,7% que a renda média mensal obteve na comparação entre 2020 (R$ 1.639,00) e 2023 (R$ 2.602,00).

A percepção externa do segmento também mudou significativamente, deixando de ser visto apenas como uma forma de renda complementar para se tornar uma opção viável de empreendedorismo. Aqueles que atuam na Venda Direta estão buscando um porto seguro para desenvolver seus negócios, considerando o baixo risco e investimento inicial envolvido, e também, o acesso a treinamentos, fornecendo aos empreendedores conhecimentos valiosos sobre estratégias de vendas, marketing, gestão financeira e outras habilidades essenciais para o êxito do empreendimento.

Os homens no Brasil são 40% da força de venda, tornando a Venda Direta mais equilibrada. Nos Estados Unidos, os homens possuem 11% a mais de chance de terem uma opinião positiva sobre o setor do que as mulheres. Esse apontamento foi declarado como um dos fatores mais surpreendentes, e é uma indicação que o público masculino continuará escolhendo a Venda Direta como opção de empreendimento e de consumo.

Sem exigência de escolaridade, experiência ou grande capital inicial, a Venda Direta é um dos poucos setores na qual a meritocracia funciona, onde o êxito do empreendedor depende unicamente de como e quanto ele se dedica na divulgação e na atenção aos seus clientes. O trabalho não é mais visto como “coisa de mulher” ou um “bico”, e sim como um espaço democrático de opção de empreendedorismo – sendo buscado principalmente por sua flexibilidade de tempo (54,7%) e pela possibilidade de ser seu próprio chefe (54,4%). Uma opção cada vez mais emblemática para quem quer ser bem-sucedido dependendo apenas de seus esforços.

*Adriana Colloca é presidente-executiva da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) é uma entidade sem fins lucrativos, criada em 1980 para promover e desenvolver a Venda Direta no Brasil, bem como representar e apoiar empresas que comercializam produtos e serviços diretamente aos consumidores finais. A entidade é membro da World Federation of Direct Selling Associations (WFDSA), organização que congrega as associações internacionais de vendas diretas existentes no mundo. Por isso, segue os códigos de ética implantados por suas filiadas, que representam mais de 70 países.

Fonte: Terra da Luz.