A produção de cerca de 11,3 milhões de toneladas de lixo plástico por ano no Brasil o coloca no 4° lugar no ranking de países responsáveis pela poluição de resíduos sólidos. O impacto ambiental, como mostra pesquisa realizada pelo WWF Brasil, de 2019, acontece tanto no mar, prejudicando as florestas submarinas, quanto com emissões de CO2 com a queima dos resíduos. A fim de diminuir esse impacto negativo no meio ambiente, empresas de cosméticos investem em produtos com refil.

As embalagens refiláveis são produzidas com material menos nocivo, como o polietileno (PE) e o polipropileno (PP), mais facilmente recicláveis. Além disso, o consumidor gasta menos com produtos em refil, geralmente mais baratos devido ao menor custo deste tipo de embalagem.

Como resultado do crescimento de um perfil de consumo mais preocupado com a origem dos produtos e quais resíduos são utilizados na fabricação, as marcas gradualmente se inserem neste contexto, inovando seus catálogos. Gigantes internacionais como Fenty Beauty, Lancôme e Mary Kay já investem no uso de refil em seus cosméticos. No Brasil, a Baims Natural Makeup, dois anos após o lançamento da marca, e a Natura, desde 1983, aderiram ao uso do refil.

A Baims optou por utilizar o bambu nas embalagens, com redução de 75% do uso de plástico, inclusive nos refis. Com isso, a marca estima uma redução de 40% de lixo ao ano. Apenas 25% do catálogo não utiliza refil.

Mariana Maduro, gerente de produto da empresa, afirma que os clientes da marca “podem ser chamados de consumidores sustentáveis”, pois são eles “que fazem suas escolhas de compra e consumo levando em consideração não somente preço e qualidade, mas o fato de a marca ser ambiental”.

Para ela, a atitude da empresa une a intenção de ser uma marca “positiva para o planeta” com a busca crescente de consumidores, que são “agentes transformadores desde que as soluções sejam oferecidas pelas marcas que eles consomem”.

A escolha pelo bambu se deu devido ao fato de que ele cresce rapidamente após o corte. Aliado a isso, a marca busca confeccionar embalagens “com um design elegante”.

A Natura, por sua vez, relata que o uso do refil utiliza menos material do que a embalagem tradicional. “Por exemplo, os refis do Creme Desodorante Nutritivo para o Corpo, de Natura Tododia, levam 86% menos plástico do que a versão regular.” O uso do refil está presente em 30% do portfólio da marca. Com isso, “evitamos o descarte de, aproximadamente, 2,6 mil toneladas de resíduos, o equivalente ao lixo gerado por 4,7 milhões de pessoas diariamente”.

Na busca por produtos com impacto positivo ao meio ambiente, o formato das embalagens, as cores e as texturas são atrativos bastante importantes na hora da compra. Por esse motivo, a Natura acredita que as embalagens não são apenas “o veículo responsável por transportar o conteúdo até o consumidor”.

Elas também são vistas como parte fundamental da experiência de uso do produto, “muitas vezes contribuindo de forma decisiva para a sua performance”. Por esse motivo, a marca aposta na importância da responsabilidade em “projetar soluções pensando em toda a cadeia, desde a sua concepção até o descarte”. Como um exemplo do quanto a intenção do consumidor pode mobilizar empresas a ter atitudes sustentáveis, a Natura afirma que é guiada tanto pela inovação quanto pela experiência do cliente.

Atitude individual também conta

Se por um lado os dados de produção de lixo ainda são elevados, por outro, a atitude individual nas buscas por empresas com políticas ambientalmente positivas é um fator determinante para mobilizar novos comportamentos na fabricação de produtos.

Em 2019, a plataforma Mercado Livre criou uma seção de Produtos Sustentáveis em seu site. No período de um ano, mais de 1 milhão de consumidores brasileiros compraram produtos neste departamento, segundo levantamento realizado pela plataforma.

Já em 2021, uma pesquisa realizada pela Economist Intelligence Unit (EIU), Instituto de Inteligência do “The Economist”, a pedido do World Wide Fund for Nature (WWF), demonstrou crescimento, nos últimos cinco anos, de 71% nas buscas na internet por produtos sustentáveis, em 54 países. O estudo apontou que no Brasil tuítes relacionados ao assunto aumentaram 82% e o volume de notícias cresceu 60%.

Neste contexto, novas empresas nascem com a proposta ecológica no centro de suas produções e as que atuam no mercado há mais tempo se adaptam, substituindo produtos com o objetivo de diminuir a produção de lixo, emissão de gases poluentes e, com isso, contribuir positivamente para a saúde do planeta.