Piora é influenciada pela redução no ritmo de vendas atual, resultado da cautela dos consumidores

O Índice de Confiança do Comércio (Icom) apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) recuou 0,9 ponto em janeiro, passando de 91,7 para 90,8 pontos, na quarta queda consecutiva. Em médias móveis trimestrais, o indicador caiu 1,7 ponto, mantendo a tendência de queda pelo terceiro mês consecutivo.

“A confiança do comércio começa 2021 mantendo a tendência de queda observada desde o último trimestre de 2020. A piora segue sendo influenciada pela redução no ritmo de vendas atual, resultado da cautela dos consumidores. Apesar do avanço das expectativas em relação aos próximos meses, a melhora ainda não reflete otimismo, apenas uma redução do pessimismo. Diante desse cenário, ainda não é possível vislumbrar uma retomada consistente do setor nos próximos meses, que depende da recuperação do mercado de trabalho e da confiança do consumidor”, avalia Rodolpho Tobler, coordenador da sondagem, em comentário no relatório.

Em janeiro, a confiança caiu em três dos seis principais segmentos do comércio e foi influenciada totalmente pela piora da percepção sobre a situação atual. O Índice de Situação Atual (ISA-COM) recuou 3,6 pontos, para 90,0 pontos, menor nível desde junho de 2020 (86,1 pontos). O Índice de Expectativas (IE-COM) subiu 2,0 pontos para 92,1 pontos, após queda de 2,6 pontos no mês anterior.

Desde o final de 2020, a recuperação do comércio vem perdendo força influenciada principalmente pela piora da percepção sobre o momento atual. Analisando as empresas em dois grupos, o de revendedores de bens essenciais e os de demais bens, é possível observar comportamentos diferentes ao longo da pandemia.

O primeiro quase não sofreu o impacto inicial justamente por revender itens de necessidades básicas, enquanto o segundo sofreu forte impacto e depois se recuperou. Nos últimos meses, ambos vem percebendo piora do ritmo de vendas, sendo mais acentuada nos revendedores dos demais bens.

“A cautela dos consumidores, o fim dos programas emergenciais do Governo, e a lenta recuperação do mercado de trabalho contribuem para essa piora, principalmente quando se trata de revendedores de bens não essenciais”, completa Tobler.

Fonte: Valor Econômico