Agenda socioambiental gera iniciativas na área de gestão de pessoas e proteção ambiental

Empresas conhecidas pela atuação com critérios ESG (Ambiental, Social e Governança, da sigla em inglês) disparam iniciativas baseadas em gestão de pessoas, proteção ao meio ambiente e economia circular. Incluem remuneração variável de executivos atrelada à redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), comitês de especialistas que identificam embalagens mais sustentáveis e até ferramentas que calculam a pegada ambiental de cada item que sai da linha de produção.

Na operadora de telecomunicações Vivo, as principais ações ESG começaram em 2016, abrangendo o pilar G, da governança, com a criação de um comitê global de sustentabilidade e qualidade, segundo Renato Gasparetto, vice-presidente de relações institucionais. A partir daí, foram abertas frentes em políticas de remuneração, diversidade do quadro e geração de energia.

Desde 2019, 20% da remuneração variável dos executivos da operadora estão relacionados a temas como diversidade e redução de emissões de GEE. Este ano, a companhia decidiu ampliar em cinco vezes, de 1% para 5%, o peso da meta de corte de dióxido de carbono (CO2) aplicado no conjunto de bônus do quadro.

“Entre 2015 e 2020, reduzimos em 70% as emissões de CO2 ”, diz Gasparetto. Há dois anos, segundo o executivo, a Vivo se tornou a primeira operadora da América Latina considerada neutra em carbono em emissões diretas, com a aquisição de créditos em projetos de conservação ambiental na Floresta Amazônica.

Do ponto de vista social, a empresa de 33 mil colaboradores implantou em 2018 um programa de aumento da diversidade no quadro, que começa a apresentar os primeiros resultados. Entre os cargos de liderança, por exemplo, as mulheres já representam 33% do total. E 25% dos lugares do conselho de administração também são delas.

No quadro de trainees da operadora, 43% dos integrantes são negros, e a contratação de pessoas trans também ganha impulso – alcançou 25 profissionais, inclusive em iniciativas de apoio ao primeiro emprego, como o Programa Jovem Aprendiz. “Estimular um ambiente diverso favorece a inovação na companhia”, afirma o executivo.

O “mutirão” ESG deve ganhar mais corpo em 2021, segundo Gasparetto. No escaninho ambiental, há avanços programados na implantação de usinas próprias de geração distribuída. Até o início de 2022, serão mais de 70 unidades de fontes solar, hídrica e de biogás, com uma produção equivalente a 670 mil megawatts ano. “Isso vai contribuir para aliviar a carga na rede de energia e gerar desenvolvimento no entorno das operações”, garante.

Na opinião de Roseli Mello, líder global de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da Natura &Co, é importante investir no estudo de novos materiais para dar força à onda ESG na indústria.

Considerada uma empresa carbono neutro desde 2007, a fabricante de cosméticos lançou, há 35 anos, refis para os produtos, de olho na baixa geração de resíduos. Atualmente, 27% do portfólio contam com a facilidade. Isso evita o descarte de três mil toneladas de resíduos ou o equivalente ao lixo gerado, diariamente, por 5,5 milhões de pessoas, afirma.

Para colocar em prática sua política, a Natura mantém um comitê multidisciplinar, do qual fazem parte profissionais de design, meio ambiente e experiência do consumidor. O grupo se reúne regularmente para identificar soluções de embalagens cada vez mais “circulares”.

Um dos programas de reciclagem recuperou, desde 2018, mais de 24,2 mil toneladas de material pós-consumo, com 10,2 mil toneladas resgatadas somente em 2020.

Maya Colombani, diretora de sustentabilidade e direitos humanos da L’Oréal Brasil, afirma que 100% do portfólio da marca são avaliados, desde 2015, por uma espécie de “calculadora” que permite identificar a pegada ambiental dos produtos.

Em 2020, 90% dos itens novos ou renovados no Brasil tiveram seu perfil melhorado por meio de inovações, afirma ela. A ideia é, com a ferramenta, alcançar 91% de biodegradabilidade média nas fórmulas de xampus e condicionadores.

Recentemente, a L’Oréal Brasil aderiu a uma solução de logística “verde”, com caminhões abastecidos com biometano, por meio de parceria com os fornecedores Jomed e RN Express e a montadora Scania. “Até 2030, reduziremos em 50% as emissões de GEE ligadas ao transporte de mercadorias”, diz.

Na Bosch, maior fabricante de autopeças do mundo, um plano de gestão hídrica na planta de Campinas (SP) garantiu a redução de 50% do consumo de água nas atividades industriais. “Além disso, o projeto contempla o reaproveitamento da água da chuva, canalizada até um lago artificial com capacidade de 65 milhões de litros”, afirma Carlos Abdalla, gerente de marketing, comunicação corporativa e relações institucionais da Bosch América Latina.

Fonte: Valor Econômico