Ministro critica proposta de IVA com alíquota acima de 30% que ganhou prioridade na Câmara

O governo está transformando a economia brasileira numa economia de mercado, por isso não vai subir impostos, disse há pouco o ministro da Economia, Paulo Guedes, no evento Latin America Investment Conference, promovido pelo Credit Suisse. “Vocês viram: em São Paulo, subiram o imposto; o povo foi pra rua e baixaram.”

Ele comentou que “tinha gente querendo botar o IVA [Imposto sobre o Valor Agregado] acima de 30%”, o que “ia quebrar comércio e serviços”. Ele se refere a propostas como a que está em análise na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45, um projeto que ganhou prioridade na gestão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à frente da Casa. Essa proposta, disse o ministro, é apoiada por cartéis que não se importam com a alta de impostos no geral, pois conseguem reduzir sua carga setorialmente por meio de pressões políticas em Brasília.

A aprovação de reformas como a administrativa e a tributária, além de marcos regulatórios, isso deve criar o “crowding in”: ondas de investimento privado. É o que o governo persegue. “Ficar pedindo para governo investir muito dinheiro é violar responsabilidade fiscal e bloquear horizonte de investimento privado”, disse. Não são medidas populares, mas o presidente Jair Bolsonaro enfrenta pressões. “Presidente xingando pode ser mais efetivo do que outros políticos que estão aí rezando.”

Guedes, disse que os pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro são um “descredenciamento da democracia brasileira”. “O presidente foi eleito, 60 milhões de votos. E todo dia, desde o início, tem conversa. Primeiro é impeachment porque derrubou um passarinho, depois é impeachment porque deu um tapa na cabeça da ema, depois é impeachment porque teve um assassinato lá no Maranhão, depois é impeachment porque morreu um indígena. É um descredenciamento da democracia”, afirmou.

Segundo ele, o conflito é natural da democracia, mas tem um grupo que “não sabe perder eleição”. “Se diz democrata, mas não sabe perder eleição. Acha que democracia depende de eleger a mesma pessoa quatro vezes presidente da Câmara”, acrescentou.

Fonte: Valor Econômico