Operação prevê penalidade em taxa se empresa não cumprir compromissos

A Natura concluiu ontem a captação de US$ 1 bilhão no mercado internacional com a emissão de bônus sustentáveis com prazo de sete anos. Os papéis foram colocados com (“yield”) de 4,125%, dentro da sinalização inicial dada ao mercado. Conforme fontes, a demanda foi de quatro vezes o valor ofertado.

Nesse tipo de operação, a empresa emite os chamados “sustainability-linked notes” e, em vez de captar recursos para projetos específicos, se compromete com metas de sustentabilidade em seu negócio. Se esses compromissos não forem alcançados, a taxa do papel sofre um acréscimo.

A Natura assumiu o compromisso de reduzir a intensidade de emissões de gases de efeito estufa em 13%, calculada para o exercício encerrado em 31 de dezembro de 2026. Além disso, pretende que o uso de embalagem reciclada pós-consumo alcance pelo menos 25% na mesma data. Se a empresa não atingir os parâmetros, a penalização da taxa será de 65 pontos-base a partir de outubro de 2027, já perto do fim do prazo da emissão.

O acréscimo da taxa ficou acima do que se viu em emissões desse tipo feitas recentemente por companhias brasileiras, que saíram com penalização de 25 ponto-base. Porém, no caso dessas operações, a verificação do cumprimento das metas está programada para acontecer mais ao redor de metade do prazo da emissão.

De acordo com uma fonte, como da data de verificação da Natura é bem próxima do vencimento, a penalidade acabou tendo de ser maior para ter relevância.

A gestora de recursos JGP, que lançou no fim do ano passado um fundo de crédito com critérios de responsabilidade ambiental, social e de governança (ESG, na sigla em inglês), avaliou que o compromisso de redução de emissões de gases é pouco ambicioso, pois não leva em conta emissões absolutas. Mas a meta de utilização de plásticos reciclados pós-consumo foi considerada relevante, já que é um indicador importante para o setor – plástico é o material mais usado em embalagens da companhia.

Para Alexandre Muller, sócio da JGP, metas que façam sentido para as companhias são mais importantes que o “timing” da medição dos compromissos. “A empresa pode colocar uma meta menos ambiciosa e um timing anterior. Preferimos uma meta mais ambiciosa com um pouco mais de flexibilidade de prazo”, afirmou.

A Natura usará os recursos para refinanciamento de dívidas de curto e médio prazos. A operação foi coordenada por Bank of America (BofA) e HSBC, com participação também de Bradesco BBI, Citigroup, Itaú BBA e Morgan Stanley.

Fonte: Valor Econômico