Parque tecnológico tem 2.900 metros quadrados, ante os 800 metros quadrados de antes; empresa investiu R$ 35 milhões no projeto

Pronto desde março, o novo centro de inovação da Natura em Cajamar (SP) foi inaugurado oficialmente em um tour virtual nesta terça-feira (24), devido à covid-19. O parque tecnológico tem 2.900 metros quadrados, ante os 800 metros quadrados de antes, e promete reduzir 40% do tempo nos processos de triagem e de 30% a 40% na prototipação de produtos.

“Vimos que nossas instalações e a forma que estávamos trabalhando não correspondiam nem ao que já estávamos fazendo nem às nossas ambições”, disse Andrea Alvares ao Valor. Uma das líderes do projeto, Andrea é vice-presidente de marca, inovação, internacionalização e sustentabilidade da Natura.

Há, por exemplo, uma torre de armazenagem que facilita o manuseio de protótipos pelos pesquisadores, que serão capazes de manejar mais de 2 mil protótipos ao mesmo tempo. Hoje, a Natura tem 253 funcionários na área de pesquisa e desenvolvimento e atua em parceria com pesquisadores da área acadêmica, agências de fomento e startups.

Investimento de R$ 35 milhões
O investimento para a reformulação da estrutura predial foi de R$ 35 milhões. O valor não inclui equipamentos, mas a Natura afirma investir, anualmente, cerca de 2,4% de sua receita líquida em inovação. Em 2019, a receita líquida da marca Natura foi de R$ 9 bilhões. A empresa também mantém um laboratório em Benevides (PA). A holding Natura &Co também conta com centros de inovação em outros países, pertencentes às marcas Avon, The Body Shop e Aesop.

Também à frente da renovação, Roseli Mello, líder global de pesquisa e desenvolvimento da Natura & Co., destaca que a reformulação buscou otimizar todos os fluxos de trabalho. “Traz também uma parte muito importante que é o uso de dados. Já usamos nos nossos projetos inteligência artificial, simulações e predições. Nosso laboratório não estava preparado para que todos os dados que geramos fossem capturados. Agora ganhamos bastante velocidade em nossas pesquisas.”

O segundo andar do prédio abriga um espaço de trabalho colaborativo, no qual consultoras e consumidores podem participar de processos de elaboração, amadurecimento e aperfeiçoamento de protótipos, bem como permite a companhia promover hackathons, nome dado às maratonas de programadores, designers e outros profissionais que trabalham em desenvolvimento de tecnologia.

Já em outros dois andares estão equipamentos de última geração dedicados à biotecnologia, para identificar, por exemplo, os potenciais usos de ativos naturais. Um dos objetivos do novo centro é ajudar a companhia alcançar os compromissos ambientais estabelecidos pelo grupo Natura &Co.

Entre os equipamentos estão uma impressora de pele 3D, sequenciadores de DNA, biorreatores (para transformação de células, enzimas ou microorganismos) e cromatógrafos gasosos e líquidos, que separam, identificam e quantificam compostos de óleos essenciais e bioativos. Uma das últimas aquisições da empresa foi um cromatógrafo acoplado a um acessório que consegue absorver o cheiro do ar e identificar quimicamente os compostos presentes no aroma.

Índice de inovação
A empresa tem ampliado o número de ativos e de produtos criados em seus laboratórios ao longo dos anos. Apenas em 2019, foram lançados 330 produtos e publicadas 27 patentes. Já o índice de inovação alcançou 58,4% no ano passado. Esse indicador mede a participação da venda de produtos lançados nos últimos 24 meses sobre a receita bruta total do ano.

Um dos exemplos citados pelas executivas foi a descoberta do potencial do bioativo da semente de ucuuba em 2004. A ucuuba é uma árvore da Amazônia ameaçada de extinção, com sua madeira muito procurada para fabricação de produtos de baixo valor agregado, como vassouras e telhas. Em 2015, a empresa lançou a linha Ekos Ucuuba, com hidratação de até 48 horas e estímulo à produção de colágeno e elastina. A estimativa da empresa é de que somente em 2016, uma área equivalente a 150 campos de futebol foi conservada na região com o aproveitamento da ucuuba na indústria cosmética.

Outra descoberta dos pesquisadores da Natura foi o papel da microbiota, um ecossistema de milhões de microorganismos que habitam o corpo humano e ajudam em seu funcionamento, nos cuidados com a pele. Com base nisso, a empresa desenvolveu a linha Tododia com produtos que têm nutrição prebiótica e fórmula inteligente, que se adapta ao que a pele precisa a cada momento.

“Temos uma produção científica riquíssima, com equipamentos de última geração. Ao mesmo tempo, promovemos desenvolvimento sustentável para a Amazônia, mantendo a floresta em pé e gerando renda para as comunidades locais e para as revendedoras”, diz Andrea.

Fonte: Valor Econômico