Para 2022, a previsão de expansão foi mantida em 2,6%

Em relatório divulgado nesta terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) praticamente não alterou as previsões para o crescimento da economia brasileira em 2021 e 2022, apesar das medidas restritivas adotadas por diversos governadores e prefeitos para conter a disseminação da covid-19 em várias partes do país.

No mais recente relatório “Panorama Econômico Mundial”, publicado hoje durante a reunião anual da entidade, o FMI estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil crescerá 3,7% neste ano, uma alta de 0,1 ponto percentual em relação ao relatório divulgado em janeiro. Para 2022, a previsão de expansão foi mantida em 2,6%.

O crescimento previsto para o Brasil é menor do que o estimado para alguns países da região. O México, por exemplo, deve crescer 5% em 2021 — alta de 0,7 ponto percentual em relação a janeiro — e 3% em 2022, de acordo com os economistas do FMI. Mas a economia brasileira foi menos afetada pela pandemia no ano passado, com um recuo de 4,1% contra 8,2% dos mexicanos. Essa diferença reflete, em grande parte, a falta de medidas de apoio à renda das famílias e às empresas dadas pelo governo do México ao longo da pandemia.

As previsões do FMI são mais otimistas do que as estimativas feitas pelo mercado financeiro. No último Boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, a expectativa era de crescimento de 3,17% da economia brasileira em 2021 e de 2,33% em 2022.

No relatório, o FMI afirma que “graças à recuperação da manufatura global no segundo semestre de 2020”, o crescimento econômico superou as expectativas em alguns grandes países exportadores da América Latina e do Caribe, entre eles o Brasil. Desta forma, o resultado brasileiro contribuiu para que a previsão do PIB da região fosse elevada em 2021 para 4,6% — alta de 1 ponto percentual em relação às estimativas de janeiro.

“No entanto, a visão de longo prazo continua a depender da trajetória da pandemia. Com algumas exceções (por exemplo Chile, Costa Rica e México), a maioria dos países não garantiu vacinas suficientes para atender suas populações”, ressalta o FMI.

No comunicado no qual comenta as conclusões do relatório, a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, não citou o Brasil, mas afirmou que os países, de uma maneira geral, devem manter as políticas econômicas de apoio para mitigar os efeitos da crise de covid-19 e se planejar para ter espaço fiscal para prorrogá-las por mais tempo, se necessário.

Ela também recomendou que os governos mantenham uma política monetária “acomodatícia”, desde que a inflação esteja bem controlada. No mês passado, porém, o Banco Central elevou a taxa básica de juros no Brasil para 2,75%, a primeira alta da Selic em quase seis anos, por preocupações com o cumprimento da meta da inflação neste ano.

Conteúdo originalmente publicado pelo Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor Econômico.

Fonte: Valor Investe