Promovido pela ABEVD, debate abordou as medidas implementadas pelo Poder Público e as perspectivas do setor industrial

A ABEVD – Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas promoveu na manhã desta quinta-feira (02.04), um Webinar com o tema “Covid-19 e os Efeitos para o Setor de Vendas Diretas”. O debate foi moderado pela Diretora de Assuntos Institucionais da ABEVD, Adriana Angelozzi, e contou com as participações do Secretário Nacional de Transportes Terrestres do Ministério da Infraestrutura, Marcello da Costa Vieira, e do Gerente Executivo de Gestão de Defesa de Interesses da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Pablo Cesário.

Vieira iniciou o debate explicando que a atual situação do Brasil pode ser comparada a uma guerra. “Os médicos e enfermeiros são os soldados e nós do Ministério da Infraestrutura também temos os nossos soldados, que são os motoristas, os operadores de aeroportos, portos, os que operam a logística em si. Enquanto boa parte da população está recolhida em suas casas, esses trabalhadores da infraestrutura precisam continuar com suas operações. E passam a ser, com isso, elementos que precisam de um tratamento diferenciado”.

O Secretário também relatou que foi firmado um acordo com o Ministério da Saúde para que esses profissionais sejam incluídos nos grupos prioritários para a vacinação contra a gripe. “Os sintomas são muito semelhantes. Um operador de transporte ou um motorista que tenha uma febre ou qualquer outro sintoma de gripe, sem saber se é Covid ou Influenza, por precaução ele vai parar e ficará em quarentena por 14 dias. Então, se ele estiver vacinado, a gente já pode retirar da suspeita de gripe comum”.

Alguns índices divulgados durante o Webinar mostram ainda como a pandemia já está refletindo nas rodovias e transporte de cargas em geral: o transporte rodoviário apresentou uma queda na ordem de 26 a 30%; redução de cerca de 40% no transporte de trigo para padarias; 61% a menos de veículos leves trafegando nas rodovias do país; 85% menos ônibus de passageiros; redução de 89% de voos domésticos e de 76% de voos internacionais. O sistema de portos é o único que segue em operação normal.

Pablo Cesário deu detalhes de uma pesquisa realizada entre os dias 27 e 29 de março com 700 empresas, que constatou que 83% delas foram afetadas pela queda na demanda. Das 700, apenas 15% não relataram nenhum problema com a obtenção de insumos, mas 37% já estão em situação crítica nesse ponto. Pelo menos 4 entre 10 empresas estão completamente paradas.

“Estamos jogando de dois lados ao mesmo tempo. De um lado queremos garantir o abastecimento e do outro queremos ver como as bases industriais se adaptam. Uma empresa que construía compressores, passou a produzir respiradores. Só que isso significa refazer produtos, refazer linhas de produção, significa conseguir todas as autorizações em questão de dias”, afirmou.

O Gerente da CNI explicou ainda que com a aprovação das medidas emergenciais pelos governos federal e estaduais, a preocupação muda de foco. “Agora que o risco de desabastecimento parece controlado, o risco agora passa a ser de como a gente reduz os danos econômicos disso tudo. As medidas que estão sendo colocadas pelo Governo têm a ver como a gente diminui o nosso gasto, evitando ao máximo demissões, porque demissão também custa caro”.

Cesário também recordou algumas perspectivas divulgadas pelo Ministério da Saúde. “O pico da Covid nós encontraremos entre os meses de junho e julho e a reversão vai começar somente em setembro, o que significa que do ponto de vista da produção, a gente vai ter um ano não difícil, mas dificílimo”.

Adriana Angelozzi encerrou o painel falando sobre a aprovação de medidas e a retomada de um cenário de esperança. “Vimos que já saíram as medidas de auxílio que eram tão aguardadas por nós. Afinal, nossa força de vendas, que são cerca de 4 milhões de famílias, são trabalhadores autônomos”.

O Webinar foi encerrado com as respostas aos questionamentos enviados pelo público. Para assisti-lo novamente clique aqui.

Fonte: Assessoria de Imprensa