Marketing multinível é uma estratégia de marketing em que uma empresa desenvolve uma rede de revendedores de seus produtos ou serviços, em que os envolvidos podem receber lucros tanto pela revenda em si quanto pelo recrutamento de outras pessoas para participarem do negócio. O modelo é geralmente lembrado pelas técnicas de venda direta e costuma envolver, no Brasil, produtos de saúde ou cosméticos, muitas vezes direcionados a donas de casa, para vendas boca a boca. A questão é que, muitas vezes, os lucros auferidos pelos vendedores do baixo escalão podem ser mínimos, sendo que em alguns casos eles chegam mesmo a perder dinheiro para participar do modelo, tudo em troca da ilusão de lucros futuros.

Aqui no Brasil, costumamos pensar em empresas como Avon, Herbalife e Mary Kay (lembrando que o marketing multinível pode ser uma das estratégias usadas pelas empresas para impulsionar as vendas, não necessariamente a única). No mundo todo, a Amway é a maior empresa que adota este modelo.

Marketing multinível nos EUA

Os problemas deste modelo de marketing são mais claros nos EUA, onde pesquisas apontam dados um tanto deprimentes sobre a estratégia de marketing e o custo que traz aos vendedores. Por lá, no entanto, o marketing multinível adotado por essas empresas é um tanto mais agressivo e os produtos, muitas vezes, chegam a ter suas características aumentadas ao ponto de parecerem milagrosas. Isso acaba atraindo muita gente, até porque a promessa de lucros costuma ser, igualmente, próxima de algo milagroso, o que não se concretiza na prática.

De acordo com uma pesquisa de 2017 feita pela Consumer Awareness Institute (Instituto para a Conscientização dos Consumidores, em inglês), 99% dos vendedores de produtos em esquemas de marketing multinível acabam perdendo dinheiro. Outra pesquisa, feita pelo site Magnifymoney, apontou que diversas companhias que seguem esse modelo de negócio acabam gerando a seus vendedores ganhos de apenas 70 centavos por hora.

Apesar de nem todas as empresas que empregam esse tipo de marketing terem práticas abusivas, muitas delas inevitavelmente podem ser enquadradas como esquemas análogos aos de pirâmides. nos quais o maior percentual de lucro é direcionado para aqueles que estão no topo e a constante entrada de capital tem como base o constante recrutamento de novas pessoas.

Essas pessoas geralmente acabam investindo seu próprio dinheiro em um período inicial e muitas vezes não vendem o suficiente nem para cobrir os custos que tiveram, o que torna a prática, em muitos casos, totalmente questionável.

Falta de normas e parâmetros no Brasil

Aqui no Brasil, para conter os abusos, foi criado um projeto de lei que até hoje não foi sancionado, o que deixa a prática em um limbo jurídico. No entanto, mesmo assim é possível ver anúncios de empresas que dizem que seguem essa lei, mesmo que ela não tenha sequer sido aprovada ainda.

Portanto, caso você se depare com alguma oportunidade nesse ramo de negócios, seja cético e tome todos os cuidados necessários, sobretudo em relação a investimentos iniciais, formas de ficar financeiramente envolvido em um negócio que pode causa prejuízos a você, enfim, use o bom senso e não se deixe levar por empresas que prometem ganhos muito acima do que poderia ser esperado de uma operação de vendas comum.

Afinal, é ou não uma pirâmide financeira?

Marketing multinível pode não ser necessariamente uma prática abusiva em relação aos revendedores, mas existe uma vasta literatura apontando que as empresas abusam desse tipo de prática, usando brechas nas legislações ou na falta de legislação para criar um esquema que lembra, sim, um modelo de pirâmide.

Para definir melhor, um esquema de pirâmide envolve, sobretudo, uma remuneração pela indicação de novos membros e o pagamento de uma taxa de entrada no negócio. Quando essa é a única forma de a empresas conseguir capital, fica óbvio que o modelo não é sustentável e que, em algum momento, as novas pessoas recrutadas não conseguirão chegar a um patamar em que vão gerar lucro.  Caso você perceba que a empresa opere um esquema desse tipo, fique atento e evite qualquer contato com esse tipo de empreitada, já que é uma prática ilegal.

Geralmente as empresas que recorrem ao marketing multinível promovem a venda direta de um produto, mas também dependem fortemente do recrutamento de novos revendedores, uma vez que cada pessoa que leva um novo revendedor para a empresa acaba recebendo comissões em cima de suas vendas, o que cria algo semelhante a uma pirâmide.

Isso acaba tornando as margens de lucros desses líderes de equipes bem superiores aos dos revendedores, que por vezes acabam mesmo tendo que desembolsar algum valor para obter os produtos a serem revendidos, o que lembra a taxa de entrada dos negócios dos esquemas de pirâmide. No entanto, como há, de fato, um produto na operação, ainda existe a possibilidade de um revendedor da parte da “base” do modelo conseguir transacionar o suficiente para que a atividade gere lucro.

Conclusão sobre marketing multinível

Como pode ter percebido, embora os esquemas de marketing multinível não sejam, exatamente, um esquema de pirâmide financeira, e que na teoria sejam uma modalidade legítima de marketing, o que ocorre na prática, em diversos casos, é a exploração de profissionais que procuram uma atividade rentável e que lhes dê autonomia, lembrando bastante o formato básico de uma pirâmide.

Cabe, portanto, o máximo de cuidado ao lidar com qualquer negócio que use esse tipo de estratégia, pois você pode acabar sendo prejudicado financeiramente.